Descrição de chapéu Pan-2019

Surfe peruano resgata ligação de 5.000 anos com o esporte

Sede do Pan reivindica paternidade da modalidade e investe no 'Inka Team'

Lima (Peru)

A cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos de Lima mostrou que os peruanos se veem como pais do surfe. Isso porque pescadores das civilizações pré-Inca que viveram no local há 5.000 anos teriam sido os primeiros a usarem uma embarcação individual para encarar as ondas.

Durante o evento, "caballitos de totora", como são chamados os embriões da prancha moderna, desfilaram no estádio Nacional para simbolizar a paternidade reivindicada pelo país.

Caballito de totora, precursor da prancha de surfe, é usado na abertura do Pan
Caballito de totora, precursor da prancha de surfe, é usado na abertura do Pan - Luis Robayo/AFP

"Tradicionalmente, a origem da arte do surfe é atribuída a antigos membros da realeza havaiana. [...] No entanto, por várias décadas, os desenvolvimentos no campo da arqueologia pré-colombiana revolucionaram a teoria tradicional. Ao estudar as culturas da costa do Peru, tão desenvolvidas quanto as antigas civilizações egípcias, evidências provam que esses homens desenvolveram o surfe há milhares de anos", escrevem Roberto Meza, Oscar Tramontana e Carlos Pardo.

Eles são autores do livro "5.000 Anos Surfando Ondas: a História do Surfe no Peru".

Paraíso das ondas para muitos, o país não quer apenas ser visto como um local atrativo por sua costa generosa. Busca também se tornar uma referência a partir do desempenho esportivo de seus atletas.

Eles não ocupam posições de destaque na elite da Liga Mundial (WSL), mas já aparecem com alguma força na divisão de acesso. Tanto é que, a exemplo da "Brazilian Storm" (tempestade brasileira, como é chamada a atual geração de surfistas do Brasil), ganharam um apelido para o coletivo.

O "Inka Team" é composto por jovens com chances de ascender internacionalmente nos próximos anos. Diferentemente de outras gerações talentosas do país, como a de Sofía Mulánovich, peruana campeã mundial da WSL em 2004, eles podem contar com um suporte mais robusto.

"Este é um dos melhores momentos do surfe peruano, principalmente pelo apoio financeiro do Estado aos surfistas para que possam viajar aos melhores lugares do mundo e tenham a experiência necessária", diz à Folha Roberto Meza. "Esta nova geração tem a oportunidade de alcançar seus sonhos com as ferramentas necessárias para um atleta de alto nível."

Ex-surfista e fundador de uma das escolas de surfe mais tradicionais do país, Meza afirma que o esporte foi tratado como prioritário pelo governo para que a nação alcançasse um bom desempenho nos Jogos Pan-Americanos. A meta são dez medalhas de ouro.

Além do investimento nos atletas, um centro de alto rendimento para o surfe construído na praia de Punta Rocas, onde serão realizadas as competições da modalidade no Pan, ficará como legado.

O principal candidato a conquistar medalha de ouro para os donos da casa é Benoit Clemente, 37, conhecido como Piccolo. No fim de 2018, ele tornou-se campeão mundial de longboard da Associação Internacional de Surfe.

Em sua estreia no Pan, a modalidade será disputada nas categorias open (a mais tradicional), stand-up paddle (SUP) e longboard. Na Olimpíada de Tóquio-2020, quando o surfe debutará nos Jogos, apenas a primeira terá espaço. Em Lima, o Brasil tem 8 atletas: Chloé Calmon, Wenderson Biludo (longboard), Karol Ribeiro, Robson Santos (open), Lena Ribeiro, Vinnicius Martins (SUP Race), Nicole Pacelli e Luiz Diniz (SUP Surfe).

Os principais brasileiros, como Gabriel Medina, Filipe Toledo e Italo Ferreira, não estarão em ação. O Pan carimbará o passaporte do campeão da categoria open para Tóquio, mas no caso do Brasil as duas vagas olímpicas a que o país tem direito serão preenchidas de acordo com o desempenho na WSL.

O evento no Peru será o primeiro grande teste olímpico do surfe. As competições em Punta Rocas começam nesta segunda (29). As finais estão previstas para 3 e 4 de agosto.

"O Pan é o melhor evento que poderia acontecer no Peru e deixará grande legado de ensino e aprendizado", finaliza Meza.

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