EUA mudam regra e liberam atletas para fazer 'merchan' na Olimpíada

A partir de Tóquio-2020, americanos poderão agradecer aos seus patrocinadores

Victor Mather
Nova York | The New York Times

Os atletas olímpicos americanos poderão encontrar mais facilidade para promover produtos e patrocinadores durante a Olimpíada de Tóquio, depois que o Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos (USOPC, na sigla em inglês) relaxou algumas de suas severas regras sobre o marketing, na terça-feira (8).

Por anos, os atletas se irritaram especialmente com uma dessas normas, a Regra 40 da Carta Olímpica, que restringe severamente o que eles podem e não podem dizer e fazer, com seus patrocinadores, imediatamente antes dos jogos e em seu decorrer.

Muitos atletas definem a regra como uma "mordaça", que restringe sua liberdade de expressão e exclui injustamente os patrocinadores, que bancaram e apoiaram seu treinamento, às vezes durante anos, do momento de maior visibilidade na carreira de um atleta.

Os dirigentes olímpicos argumentam há muito tempo que a regra é necessária para proteger os interesses do grupo menor de parceiros oficiais que investem milhões de dólares a fim de associar seus nomes ao das Olimpíadas.

Equipe americana campeã no Mundial de ginástica artística de 2019 e favorita em Tóquio-2020
Equipe americana campeã no Mundial de ginástica artística de 2019 e favorita em Tóquio-2020 - Lionel Bonaventure - 8.out.19/AFP

Embora a Regra 40 tenha sido criada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), este deixou sua interpretação aos comitês nacionais. Nos últimos anos, o comitê olímpico alemão restringiu a autoridade do COI ao declarar que a Regra 40 era "abrangente demais", e decretou que os atletas alemães já não precisavam respeitá-la.

Mas muitos comitês olímpicos nacionais, entre os quais o do Estados Unidos, mantiveram uma interpretação rígida da regra, diante de campanhas de marketing de emboscada e de protestos de seus atletas.

Pelo menos um desses, o corredor de média distância Nick Symmonds, citou as restrições como motivo para encerrar cedo sua carreira no atletismo.

Nick Symmonds depois de prova na Olimpíada de Londres-2012
Nick Symmonds depois de prova na Olimpíada de Londres-2012 - Olivier Morin/AFP

Na terça-feira, porém, o USOPC atualizou suas regras. A partir da Olimpíada de Tóquio, no ano que vem, os atletas americanos poderão agradecer aos seus patrocinadores durante a competição, anunciou o comitê. E os patrocinadores também poderão congratular seus atletas.

Restam restrições. O atletas estarão limitados a sete mensagens de agradecimento durante os Jogos, e o conteúdo dessas mensagens será examinado. Uma mensagem como "obrigado por me apoiar em minha jornada" será aceitável, mas termos como "Tóquio 2020", ou "Team USA" e imagens oficiais das Olimpíadas continuam proibidos. Os atletas também não poderão promover produtos indiretamente, com frases do tipo "seu produto é o melhor".

Da mesma forma, as mensagens de congratulações das empresas que não são patrocinadoras oficiais da Olimpíada devem evitar o uso de termos e imagens olímpicos. As marcas que promovem seus atletas também não poderão aumentar a frequência de sua publicidade durante os jogos.

"Trabalhamos para criar uma orientação que aumente as oportunidades de marketing dos atletas e, o mais importante, respeite a Regra 40 e afirme nosso compromisso para com oferecer valor aos nossos parceiros", disse Sarah Hirshland, presidente-executiva do USOPC.

Tradução de Paulo Migliacci

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