Descrição de chapéu Tóquio 2020

Ainda invicto, Riner vê título em Brasília como embalo para Tóquio

Sem perder desde 2010, judoca francês supera David Moura na final do Grand Slam

Daniel E. de Castro
Brasília

Não foi desta vez que alguém derrubou Teddy Riner. O judoca francês de 30 anos, bicampeão olímpico e dez vezes campeão mundial, conquistou nesta terça-feira (8) o Grand Slam de Brasília.

Ele está invicto há nove anos e 152 combates, desde que perdeu para o japonês Daiki Kamikawa em setembro de 2010.

Na decisão em Brasília, o francês superou o brasileiro David Moura, 32, com um ippon após 20 segundos de luta.

O francês Teddy Riner (à dir.) tenta aplicar golpe no brasileiro David Moura na final da categoria superior a 100 kg do Grand Slam de Brasília
O francês Teddy Riner (à dir.) tenta aplicar golpe no brasileiro David Moura na final da categoria superior a 100 kg do Grand Slam de Brasília - Evaristo Sá/AFP

"É importante ter um grande dia como esse, porque quero a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, não quero bronze ou prata. E, quando eu luto dessa forma, sinto que vai ser bom para o futuro", afirmou o campeão. "Cada vez que eu luto com um oponente eu aprendo, porque treinar é completamente diferente de competir."

Moura explicou que tentou uma estratégia diferente contra o rival, que havia o derrotado na final do Mundial de 2017. A opção de tentar atacar pelo lado direito, porém, não se mostrou efetiva.

"Eu fiz a final do Mundial lutando de esquerda, e aparentemente é melhor, porque ele fica meio sem ângulo para me jogar. Então, talvez eu deva voltar para essa estratégia. Lutei bem o Mundial com ele, mas não ganhei. Hoje, entrei para ganhar e não deu, faz parte", disse. "Claro que saio da final meio chateado, mas lutar com ele é sempre bom, independentemente do resultado, porque acho que a gente sempre fica mais próximo de vencê-lo."

Antes da final, Riner havia batido outros três adversários. Na estreia, ele teve dificuldade contra o japonês Kokoro Kageura e chegou a sofrer quatro entradas perigosas, mas ganhou após aplicar um waza-ari com quase 6 minutos de golden score (prorrogação).

Na segunda luta, diante do russo Inal Tasoev, venceu também por waza-ari, no tempo normal. Na semifinal, encarou o tcheco Lukas Krpalek, 28, contra quem havia feito um combate equilibrado há três meses, no Grand Prix de Montreal. O torneio no Canadá, em julho, foi o primeiro de ​Riner após um ano e meio sem competir.

Ele, que costuma se poupar para os grandes eventos, recentemente voltou a participar de campeonatos para pontuar no ranking e obter a classificação para a Olimpíada de Tóquio. Sua próxima competição deverá ser o Grand Slam de Abu Dhabi, a partir de 24 de outubro.

Dessa vez, Krpalek, atual campeão mundial e vice-líder do ranking, não conseguiu dificultar. Perdeu após sofrer três punições.

Antes de parar no francês de 2,04 m de altura e 130 kg, Moura também havia superado três adversários: o equatoriano Freddy Figueroa, o ucraniano Yakiv Khammo e o compatriota Rafael Silva, com quem trava uma batalha direta pela vaga do país nos Jogos do Japão.

"Hoje foi um dia muito importante na busca por essa vaga olímpica. Entrei com atitude de campeão e estou feliz com isso", afirmou Moura.

Silva, conhecido como Baby, perdeu a disputa pelo bronze para Tasoev. Em outro duelo nacional do peso pesado nesta terça, Beatriz Sousa, 21, venceu Maria Suelen Altheman, 31, e ficou com a medalha de ouro na categoria acima de 78 kg. Elas também concorrem por uma vaga em Tóquio.

O Grand Slam de Brasília foi a primeira grande competição internacional de judô organizada no país desde que o Rio de Janeiro realizou o Campeonato Mundial, em 2013.

Esse evento está no terceiro nível de importância do esporte, atrás do Mundial e do Masters, torneio no fim do ano que reúne os melhores atletas da temporada.

Como país-sede, o Brasil podia inscrever até quatro atletas por categoria e aproveitou para preencher todas as suas cotas. Assim, judocas mais jovens ou com posições inferiores no ranking tiveram a oportunidade de evoluir no cenário internacional.

Durante os três dias de evento, 17 brasileiros conquistaram medalhas nos 14 pesos em disputa. O Centro Internacional de Convenções do Brasil, sede do torneio, que tinha entrada gratuita, contou com casa cheia todos os dias.

Medalhistas brasileiros no Grand Slam de Brasília:

Ouro
Allan Kuwabara (60 kg)
Ketleyn Quadros (63 kg)
Daniel Cargnin (66 kg)
Beatriz Souza (+ 78 kg)

Prata
Gabriela Chibana (48 kg)
Larissa Pimenta (52 kg)
Ketelyn Nascimento (57 kg)
Eric Takabatake (60 kg)
Alexia Castilhos (63 kg)
David Lima (73 kg)
Rafael Buzacarini (100 kg)
Maria Suelen Altheman (+ 78 kg)
David Moura (+ 100 kg)

Bronze
​Eleudis Valentim (52 kg)
Rafaela Silva (57 kg)
Willian Lima (66 kg)
Maria Portela (70 kg)
 

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