Descrição de chapéu Futebol Feminino

Com recorde de público, Corinthians é campeão paulista no feminino

Na final contra o São Paulo, 28.609 pessoas compareceram ao estádio em Itaquera

São Paulo

A equipe do Corinthians derrotou o São Paulo por 3 a 0 neste sábado (16) e conquistou pela primeira vez o Campeonato Paulista feminino. Em uma campanha com 100% de aproveitamento, o alvinegro chegou à conquista em jogo que também marcou um recorde de público no futebol feminino de clubes.

Com 28.609 espectadores estiveram na Arena Corinthians, em Itaquerão, e assistiram ao time da casa dominar o adversário durante toda a partida. No jogo de ida, disputado no Morumbi, com cerca de 8 mil pessoas, o Corinthians também derrotou o tricolor, pelo placar de 1 a 0.

Público na Arena Corinthians bateu o recorde para o futebol feminino no país
Público na Arena Corinthians bateu o recorde para o futebol feminino no país - Sidnei Sales - 16.nov.2019/Folhapress

Antes da partida deste sábado, o maior publico registrado na modalidade tinha sido registrado no jogo Santos e Iranduba, pela semifinal do Brasileiro de 2017, com 25 mil pessoas na Arena da Amazônia, em Manaus.

"Comecei a acompanhar o futebol feminino em 2004, quando só os jogos da seleção eram transmitidos. Se alguém me falasse 15 anos atrás que um dia elas jogariam num estádio com milhares de pessoas, com quatro emissoras transmitindo eu não acreditaria. A luta delas valeu a pena", diz a atendente comercial Leila Suzin, de 31 anos, que veio da cidade de Caçador, no norte catarinense, para assistir ao jogo.

Foram disponibilizados 36 mil ingressos para o jogo deste sábado, distribuídos gratuitamente pelo Corinthians. O jogo de ida, no Morumbi, teve público estimado de 8 mil pessoas.

Por conta de uma regra estabelecida em São Paulo após brigas de organizadas, o futebol feminino também tem jogos com torcida única no campeonato paulista.

A engenheira Danielle Oliveira, de 31 anos, diz ser contrária a jogos de torcida única tanto no masculino quanto no feminino. "O problema não é o time que está dentro, é a torcida que está fora", diz, acrescentando que aqueles que querem brigar agendam seus embates fora dos estádios mesmo após a regra.

Ela aguardava o início do jogo com as amigas, a fotógrafa Tamy Siqueira, 31, e a contadora Karen Domingos, 33. Tamy, por sua vez, defende a torcida única. Ela diz ter medo de brigas. "Mesmo assim [jogo feminino e com torcida unica], olha o tanto de homem que tem aqui".

O público, no entanto, era bastante diferente daquele mais comum em estádios. Via-se crianças de colo, bebês, famílias e muitos idosos. "As torcidas [organizadas] afastam o público mais família", diz Karen.

Para ela, que é sócia do Corinthians e acompanha os jogos do masculino e do feminino, as organizadas, porem, estão cada vez mais conscientes. "As meninas têm tido muito trabalho para conseguir espaço, ninguém vai estragar", diz.

A professora Marta Abade, de 40 anos, trouxe pela primeira vez os filhos, de nove e 11 anos, para ver um jogo de futebol em estádio. Acompanhada do marido e dos sogros, ela diz que, mesmo os jogos femininos sendo mais tranquilos, não levaria os filhos numa partida com torcidas dos dois lados.

Já o casal Jeniffer Oliveira e Daniel Adolfo, de 26 anos, diz que teriam trazido o filho de cinco anos mesmo se a torcida do São Paulo também pudesse comparecer. Frequentadores de estádios, era esta a primeira vez com o filho na Arena. Segundo eles, nos jogos femininos "vem mais mulher, mais família e crianças", criando, assim, um ambiente mais tranquilo.

Além das crianças, muitos outros estreavam no estádio do Corinthians, como quatro das cinco amigas que vieram do Guarujá, jogadoras do Santa Bola. Maria Aparecida, de 48 anos, Maria Ramos, 41, Roberta e Renata Garrido, de 30, estavam pela primeira vez no estádio, junto de Aline Medeiros, tambem de 30 anos, que já havia visto o masculino na Arena.

O resultado deste domingo começou a ser construído quando Victoria Albuquerque marcou para o Corinthians aos cinco minutos de jogo. Na transmissão online da partida, no Youtube, o gol chamou a atenção: em uma ação da Federação Paulista de Futebol, da ONU Mulheres e da agência de publicidade BETC/Havas, o placar marcou 0,8 a 0 para o time da casa. A intervenção foi uma referência a dados que mostram que mulheres recebem salários 20,5% menores que os de homens na mesma função. ​

Ainda no início, Cristiane, 34, estrela da seleção brasileira, assumiu o papel de líder são-paulina, dando broncas numa equipe assustada, que tentava recuperar a calma.

Foi apenas na segunda parte do primeiro tempo que as visitantes criaram coragem e tiveram duas boas chances: com Brenda chutando forte, mas sendo rebatida por Tainá, a goleira corintiana, e com a finalização de longe de Valéria.

Aos três minutos da etapa final, Juliette ampliou para o alvinegro após um contra-ataque puxado por Giovanna Crivelari e Milene. 

Antônio Carlos Anselmo, o pai de Giovanna Crivelari (autora do gol do jogo de ida), quer ver a filha na seleção. "Ela está no auge", diz. Segundo ele, ainda falta dinheiro ao futebol feminino. "A diferença de salários é muito grande. Está muito defasado [em relação aos do masculino]".

Atletas de Corinthians e São Paulo durante final do Campeonato Paulista Feminino de 2019
Atletas de Corinthians e São Paulo durante final do Campeonato Paulista Feminino de 2019 - Alan Morici - 16.nov.2019/FPF

A reposta veio aos 25, quando o São Paulo teve seu melhor momento da partida: com vários chutes das são-paulinas interceptados pelas corintianas e com uma batida colocada de Cristiane, cortada por Katiusca. O bom momento acabou com Tainá, a goleira da casa, lesionada e tendo de sair de campo de maca, substituída por Lelê.

Dez minutos depois, Milene fez o terceiro gol, que fechou o placar. Ela comemorou tirando a camisa e jogando para a torcida.

O São Paulo perdeu a oportunidade de levar seu terceiro título do Paulista, enquanto o Corinthians coroou um ano que teve o título da Libertadores e o vice campeonato brasileiro —a Ferroviária, de Araraquara, foi a equipe campeã.

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