Descrição de chapéu Velocidade

Hamilton é hexacampeão da F-1 e está a um título do recorde de Schumacher

Inglês ficou em segundo lugar no GP dos EUA, disputado neste domingo (3)

Luciano Trindade
São Paulo

O inglês Lewis Hamilton terminou o GP dos EUA em 2º lugar neste domingo (3). Ele confirmou a conquista do título da F-1 em 2019 com duas corridas de antecedência. 

O britânico está agora a um título de igualar o recorde de Michael Schumacher, o maior campeão da categoria.

Valtteri Bottas, seu perseguidor na luta pelo título, venceu a prova, mas não pode mais alcançar o colega da escuderia Mercedes na disputa pelo campeonato. Max Verstappen completou o pódio. Bottas, ao menos, garantiu o vice do Mundial com o resultado.

Lewis Hamilton comemora após ganhar seu sexto título na F-1
Lewis Hamilton comemora após ganhar seu sexto título na F-1 - Mark Ralston/AFP

Apesar da vantagem inicial de 74 pontos na tabela de classificação, Hamilton tentou vencer a prova, que aconteceu em Austin. Adotou a estratégia de fazer um pit stop a menos que os rivais, mas acabou ultrapassado pelo finlandês Bottas  quando faltavam três voltas para o fim.

O inglês chegou aos 381 pontos e não pode mais ser alcançado por Bottas, que tem 314.
É o 6º título de Hamilton, que seria campeão independentemente de sua posição caso Bottas não vencesse a corrida nos EUA. Como o finlandês ficou em primeiro, o líder seria campeão se terminasse até a 8ª colocação.

“Meu pai me disse quando eu tinha seis ou sete anos para nunca desistir, e esse é o lema da minha família. Tentei o meu melhor para vencer hoje. Agradeço à equipe, aos organizadores do GP  e aos americanos pela estrutura e pelo apoio”, disse logo depois da prova.

A conquista de Hamilton no GP dos EUA, o antepenúltimo desta temporada, confirma uma tendência recente na F-1: a decisão do Mundial por antecedência. É a terceira vez seguida que isso ocorre, em todas com o inglês levando o troféu de campeão.

Dos seis títulos conquistados pelo britânico, aliás, quatro foram definidos antes do fim do campeonato: em 2015, 2017, 2018 e, agora, em 2019. 

No século, há um equilíbrio. Desde 2001, 11 das 19 temporadas foram decididas antes do fim do calendário, o que inevitavelmente tira um pouco do apelo das etapas restantes, como a próxima corrida deste ano, o GP do Brasil, no dia 17.

Até o Mundial de Construtores já está definido, com a Mercedes, de Hamilton e Bottas, campeã (tem 695 pontos). A segunda colocada é a ferrari, de Vettel e Leclerc (com 479). As últimas duas corridas no circuito de Interlagos também foram com este cenário. O curioso é que, mesmo assim, o público compareceu em grande número ao último GP Brasil. 

Segundo os organizadores da prova, 150.307 torcedores estiveram no Autódromo de Interlagos durante o fim de semana da etapa disputada em 2018 —foi o melhor público da corrida desde 2010, ano em que 155.213 pessoas foram ao circuito.

Desde 2004, quando o evento em São Paulo passou a ficar entre as últimas do calendário, em sete oportunidades o campeonato chegou aqui já definido. Por outro lado, seis vezes o campeão foi decidido justamente no Brasil (2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2012).

Lewis Hamilton, inclusive, conquistou o primeiro título de sua carreira em Interlagos, no dia 2 de novembro de 2008, em uma das corridas mais marcantes do circuito. 

O brasileiro Felipe Massa, com sua Ferrari, chegou a cruzar a linha de chegada em primeiro e como campeão mundial, mas, na última curva, Hamilton, então piloto da McLaren, ultrapassou o alemão Timo Glock, pulou para a quarta posição e tirou o título de Massa, por diferença de apenas um ponto.

Hamilton voltaria a ser campeão na última prova seis anos depois, em 2014, quando venceu o GP de Abu Dhabi, tornando-se bicampeão mundial, em seu primeiro título pela Mercedes.

Disputar as últimas duas provas deste ano já com o troféu de campeão assegurado dará ao inglês mais tranquilidade para seguir em busca de novos recordes na F-1.

Uma das marcas mais importantes que ele busca é o número de vitórias de Michael Schumacher, recordista da categoria, com 91 triunfos. O inglês acumula 83 e tem mais um ano de contrato com a Mercedes. O calendário de 2020 ainda não está fechado, mas são previstas, ao menos, 22 provas.

Além disso, o agora hexacampeão já negocia com a escuderia alemã a renovação de seu contrato.
“Sempre gostei de desafios e esta equipe mostrou que está bem preparada para reagir a todas as mudanças”, disse, em referência ao novo regulamento da F-1, que entrará em vigor em 2021.

Recordista de poles (87), segundo piloto com mais vitórias na principal categoria do automobilismo e com seu sexto título na bagagem, Lewis Hamilton também está preparado para a nova F-1 que está por vir e pronto para alcançar novos recordes, sobretudo, igualar o heptacampeonato de Michael Schumacher.
Com o resultado deste ano, deixou para trás o argentino Juan Manuel Fangio (1911-1995), que venceu o Mundial cinco vezes.

Perguntado após a corrida deste domingo sobre quantos títulos pretende ganhar, Hamilton disse não ter um número alvo. 

O inglês tem agora o dobro de Mundiais que seu ídolo na velocidade, Ayrton Senna (1960-1994), vencedor em 1988,1990 e 1991. 

Quando igualou Senna no número de pole positions  na carreira (65), em 2017, Hamilton recebeu da família do brasileiro como homenagem uma réplica do capacete do brasileiro e começou a chorar. 

“Estou tremendo. Estou sem palavras. Sei que para muitos de vocês Ayrton era o piloto favorito. Para mim também. Ele me inspirou para que eu pudesse estar onde estou hoje”, disse Hamilton à época.

Além dos seis títulos mundiais e das 83 vitórias na carreira, o britânico chegou ao pódio 150 vezes, tem 87 poles e por 46 vezes fez a volta mais rápida de uma prova . 

Somando-se todas as suas 248 corridas pela F-1 desde sua estreia, em 2007, ele tem 3.399 pontos.

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