Em luto, academia recorda 'coach' Kobe Bryant e 'surreal' Gigi

Ex-jogador era técnico da equipe em que a filha atuava na Mamba Sports Academy

Thousand Oaks (Califórnia)

Quando o helicóptero de Kobe Bryant caiu neste domingo (26), o ex-jogador de basquete estava em direção ao torneio de basquete de sua filha de 13 anos, Gianna, que acontecia na sede da Mamba Sports Academy, no sul da Califórnia.

Nesta segunda-feira (27), o local amanheceu com sua entrada coberta de flores roxas e amarelas, muitas velas acesas, bolas, bonés e um par de tênis.

"Kobe era um treinador positivo, não era de gritar ou ficar nervoso com ninguém", lembrou a treinadora de basquete Krystal Jones, 46, que viu Bryant comandar várias vezes o time da filha Gianna, incluindo um dia antes do acidente.

Gigi, como era conhecida a garota, e duas outras jogadoras da equipe, Alyssa e Payton, além da treinadora assistente Christiana Mauser, estavam na queda do helicóptero que matou todas as nove pessoas a bordo. A filha de Kobe jogava de armadora e usava a camisa 2. 

A escola ganhou o nome Mamba, apelido do ex-jogador dos Lakers, no final de 2018, quando Bryant virou parceiro e investiu no local. Ele organizava diversos torneios e dava cursos de verão para meninos e meninas.

"Kobe não hesitava em elogiar outras jogadoras do time rival após o jogo quando via que alguma menina tinha talento. Era um cara muito bom, generoso", lembrou Jones, cujos dois filhos treinam duas vezes por semana na escola.

A escola fica na cidade de Thousand Oaks, no condado de Ventura, vizinho ao condado de Los Angeles e da cidade de Calabasas, onde o helicóptero caiu na manhã de domingo (horário local).

Objetos deixados em homenagem a Kobe Bryant em frente à Mamba Sports Academy
Objetos deixados em homenagem a Kobe Bryant em frente à Mamba Sports Academy - David McNew/AFP

O torneio, que acontecia em outras duas escolas municipais ao mesmo tempo, foi cancelado no domingo. Diversas pessoas visitavam a Mamba Academy na manhã de segunda para deixar um bilhete, tirar uma foto ou conversar com outros fãs.

"Gigi tinha o mesmo estilo do pai, era muito surreal de assistir", disse José Garcia, 31, que chegou a ver dois jogos da dupla. "Ela pulava para o arremesso igualzinho ao pai, se movimentava na quadra do mesmo jeito."

Garcia, que trabalha ajudando idosos em casas de retiro, dirigiu por mais de uma hora para prestar sua homenagem às vítimas. "Dava para ver que Gigi era muito comunicativa. E Kobe queria que elas jogassem até o final, até o limite. Mas sempre com uma energia muito boa", afirmou.

A estudante Olivia Tyler, 19, foi ao local com sua camiseta e boné dos Lakers. Ela treinou na academia em 2018 e viu Gigi e as amigas jogarem algumas vezes.

"Kobe era 'coach' dentro e fora das quadras. Ele é uma inspiração para minha geração, me espelhava nele para jogar", disse Tyler. "Cresci com meus pais me dizendo o que Kobe dizia: ser sempre a melhor versão de nós mesmos."

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