Atletas protestam, e CBF suspende seus torneios por causa do coronavírus

Medida tem prazo indeterminado e não afeta diretamente os campeonatos estaduais

São Paulo

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) comunicou neste domingo (15) que decidiu suspender, a partir desta segunda-feira (16) e por prazo indeterminado, as competições nacionais sob sua coordenação que estão em andamento.

O motivo é a pandemia de coronavírus. Entram nessa lista a Copa do Brasil, os Campeonatos Brasileiros Femininos A1 e A2, o Campeonato Brasileiro Sub-17 e a Copa do Brasil Sub-20.

"Em relação aos campeonatos estaduais, as Federações Estaduais de futebol, entidades organizadoras, terão deliberações específicas para cada competição, sendo respeitada a sua autonomia local", afirma o documento da CBF.

O presidente Jair Bolsonaro se mostrou contrário à medida adotada pela CBF em entrevista à CNN, na noite deste domingo. Segundo ele, o futebol não pode parar em razão do coronavírus.

"Quando você proíbe jogo de futebol, entre outras coisas, você está partindo para o histerismo. Eu não quero. A CBF [...] poderia vender um percentual de ingresso, levando-se em conta a quantidade de pessoas compostas nas arquibancadas e não partir para simplesmente proibir isso ou aquilo porque [cancelar] não vai conter a expansão [do vírus]. A economia não pode parar. Vai gerar desemprego", afirmou Bolsonaro.

A Federação Paulista de Futebol (FPF) marcou uma reunião para a manhã desta segunda em que discutirá com presidentes dos clubes das três principais divisões do estado a continuidade das séries A1, A2 e A3.

Também nesta segunda, às 20h, está previsto o clássico de Campinas entre Guarani e Ponte Preta, no Brinco de Ouro da Princesa, jogo que fecha a 10ª rodada do Campeonato Paulista. A partida terá portões fechados por determinação da Secretaria de Saúde de Campinas, já que a FPF não determinou a ausência de público para os eventos fora da capital.

Neste fim de semana, em que várias partidas dos estaduais pelo país foram disputadas com portões fechados, alguns times protestaram contra a não paralisação total das competições, já que os jogadores, treinadores e demais profissionais continuam correndo riscos.

Jogadores do Grêmio entraram com máscaras para jogo do Gaúcho neste domingo
Jogadores do Grêmio entraram com máscaras para jogo do Gaúcho neste domingo - Diego Vara/Reuters

Os atletas do Grêmio, além dos membros da comissão técnica tricolor, entraram em campo neste domingo, em Porto Alegre, para jogo do Campeonato Gaúcho contra o São Luiz, com máscaras protetoras.

"Essa manifestação dos atletas entrarem de máscara deixa implícito nosso apoio [ao fato] de que o campeonato precisa ser paralisado para as coisas ficarem claras. Os países que estão controlando a situação são aqueles que tomaram atitudes duras. Temos que priorizar a vida", disse Paulo Luz, vice-presidente de futebol do clube.

Após a partida, o técnico Renato Gaúcho, que também usou máscara na entrada do time, afirmou que o objetivo foi alertar as autoridades e que vários atletas da sua equipe estão assustados.

"Quero saber de quem vai ser a responsabilidade, caso alguma coisa mais grave aconteça. Ou será que as pessoas não estão ligadas nisso? Será que o futebol brasileiro não tem que parar? O mundo inteiro está parado. Vamos precisar fazer uma greve? Será que precisaremos chegar a esse ponto? Acho que não precisamos chegar a isso", declarou o treinador.

O volante argentino Damián Musto, do Internacional, se somou às manifestações do clube rival e protestou com uma dura mensagem em sua conta no Twitter.

"O que esperam [para decretar a paralisação]? Parem tudo, filhos da puta! Brincam com a nossa vida como se fosse um videogame. Parem antes que seja tarde", escreveu o jogador, que chegou neste ano ao time gaúcho.

No Estadual do Rio, a equipe do Botafogo também aderiu às máscaras para mandar uma mensagem à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, que manteve a disputa do estadual com a condição de os estádios não receberam público.

“Coronavírus: previna-se! Essa luta é de todos nós”, dizia a mensagem na faixa levada pelos atletas botafoguenses ao gramado do Estádio Nilton Santos.

Entre os jogadores que formaram parte do protesto estava o japonês Keisuke Honda, 33, que estreou neste domingo pelo Botafogo e marcou um gol no empate em 1 a 1 com o Bangu.

O japonês Keisuke Honda (dir.) se somou aos protestos dos jogadores do Botafogo contra a continuidade do torneio
O japonês Keisuke Honda (dir.) se somou aos protestos dos jogadores do Botafogo contra a continuidade do torneio - Ricardo Moraes/Reuters

Em Minas Gerais, a Federação Mineira de Futebol resolvou na tarde deste domingo suspender o estadual por tempo indeterminado. O anúncio foi feito pela FMF por volta de 17h20, com a 9ª rodada do torneio em andamento. Três partidas haviam iniciado às 16h.

Mais tarde, no clássico da rodada, os jogadores do Vasco também usaram máscara, e os do Fluminense puseram o braço sobre a boca e o nariz.

A federação também informou que a suspensão vale a partir de terça-feira (17). Nesta segunda (16), o confronto entre Democrata e Betim, às 20h30, válido pela segunda divisão do estado, está mantido, com portões fechados.

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