Se vão prender falsificador, muita gente sumirá, diz paraguaio

Moradores de Assunção que falaram com a Folha criticam detenção de Ronaldinho

Assunção (Paraguai)

A prisão do ex-jogador Ronaldinho Gaúcho e de seu irmão, Roberto de Assis, por utilizarem documentos falsificados para entrar no Paraguai, é o grande assunto na boca dos moradores de Assunção, a capital do país. A Folha conversou com populares neste domingo (8).

“Eles deveriam estar soltos, porque isso tudo é um problema nosso, do Paraguai, que tem uma indústria de falsificação de documentos onde quem manda é o governo mesmo”, disse uma mulher que não quis se identificar e que passeava com seu cachorro neste domingo pela manhã, pelas ruas vazias do centro de Assunção.

 

“É uma vergonha para o Paraguai eles ficarem presos aqui”, complementou o motorista de Uber que transportou a Folha.

“Temos uma Justiça que não presta, que se rende ao dinheiro e ao poder político. Quando viram que o Paraguai era piada no mundo por ter liberado o 'Dinho [como é chamado Ronaldinho pelos paraguaios], deram um jeito de prendê-lo de novo, para mostrar poder político”, disse, por sua vez, outro motorista de Uber.

“Claro que sou fã, se eu pudesse visitá-lo lá, ia buscar um autógrafo”, afirmou um pré-adolescente que, com colegas, jogava futebol diante de um centro comercial. “Se vão prender falsificador aqui, muita gente vai desaparecer das ruas."

Seu colega de jogo acrescentou: “eu, se pudesse ir lá, ia pedir para ele desculpar o Paraguai”.

No sábado (7), a juíza Clara Ruíz Díaz acatou o pedido do Ministério Público paraguaio para que Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Roberto de Assis, fossem presos por tempo indeterminado, que pode ser de até seis meses, enquanto se investiga o que ela classificou como “grave delito que atenta contra os interesses da República”.

Ambos entraram no Paraguai com documentos falsos e não explicaram, segundo a Justiça, a razão disso.

De acordo com o advogado de defesa dos irmãos, Sérgio Queiroz, os passaportes paraguaios foram oferecidos a Assis para que eles pudessem fazer negócios no país. Indagado sobre que tipo de negócios, Queiróz não especificou. "Eles têm interesse em realizar negócios aqui como em várias partes do mundo", afirmou em coletiva de imprensa neste domingo.

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