Descrição de chapéu Coronavírus

Elite do esporte se une em doações e campanhas de combate à Covid-19

Roger Federer, Messi e técnico Pep Guardiola já anunciaram aportes milionários

São Paulo

Com o esporte paralisado em praticamente todos os lugares do mundo, alguns dos principais atletas do planeta, sem poder jogar ou treinar, têm utilizado sua imagem e seu dinheiro para assumir papel de protagonismo na luta contra o coronavírus.

Só nesta semana, Roger Federer, Lionel Messi e Pep Guardiola anunciaram ou fizeram aportes milionários para ajudar instituições sanitárias e hospitais que estão trabalhando no controle da pandemia.

O tenista de 38 anos, por meio de suas redes sociais, afirmou que irá doar, junto com sua esposa Mirka, 1 milhão de francos suíços (R$ 5,2 milhões) para as famílias mais vulneráveis de seu país. Até a tarde desta terça (24), segundo informações do governo da Suíça, pouco mais de 8.000 pessoas já haviam sido infectadas com a Covid-19, com 86 mortes decorrentes da doença.

Mantendo a discrição que o caracteriza fora dos gramados, o camisa 10 do Barcelona doou 1 milhão de euros (R$ 5,4 milhões) por meio de sua fundação, valor dividido entre duas instituições: uma na capital da Catalunha, onde vive com sua família, e outra em Rosario, sua cidade natal na Argentina.

No Twitter, o Hospital Clinic de Barcelona agradeceu publicamente ao jogador pela doação, que servirá principalmente para a compra de aparelhos respiratórios, destinados aos pacientes que se encontram nas UTIs em estado mais grave.

"Graças a essa doação poderemos melhorar a atenção que oferecemos aos nossos pacientes com Covid-19", afirmou o doutor Josep Campistol, diretor do hospital catalão. "Agradecemos enormemente à Fundação e a Leo Messi, por seu compromisso e apoio nesta luta contra a pandemia."

Messi não falou publicamente sobre as doações, mas usou seu perfil no Instagram para dar uma mensagem de apoio aos profissionais de saúde e alertar seus seguidores sobre a importância do isolamento social, uma das medidas mais recomendadas pelas autoridades para evitar o contágio.

"É um momento excepcional e temos de seguir as indicações tanto das organizações sanitárias como das autoridades públicas. Só assim poderemos combatê-lo [o coronavírus] de maneira efetiva", escreveu o argentino.

Técnico de Messi de 2008 a 2012 no Barcelona, Pep Guardiola também mexeu no bolso para ajudar uma instituição catalã.

Nascido em Santpedor, pequeno município da Catalunha, o treinador do Manchester City doou 1 milhão de euros à Fundação Ángel Soler Daniel, que utilizará a quantia para a aquisição e abastecimento de material hospitalar. O valor da doação foi divulgado pela própria instituição.

Segundo o Colégio Médico de Barcelona, que coordena em conjunto com a fundação uma campanha de donativos, o montante arrecadado até a terça-feira, antes do aporte de Guardiola, era de 33 mil euros (R$ 180 mil).

A Espanha, segundo país europeu mais afetado pela pandemia depois da Itália, já registra mais de 4.000 mortes decorrentes da Covid-19.

Nesta quinta-feira (26), os ídolos espanhóis Rafael Nadal e Pau Gasol anunciaram em conjunto uma campanha da Cruz Vermelha da Espanha. O tenista de 33 anos e o jogador de basquete de 38 disseram ter contribuído com a iniciativa, mas não tornaram públicos os valores.

A ideia do órgão é arrecadar 11 milhões de euros (cerca de R$ 36 milhões) para ajudar aproximadamente 1,3 milhão de espanhóis em situação de vulnerabilidade com relação à doença.

O português Cristiano Ronaldo, juntamente com seu empresário Jorge Mendes, também doou 1 milhão de euros a hospitais de Lisboa e do Porto. No hospital Santa Maria, da capital portuguesa, a doação do atacante da Juventus permitirá a montagem de duas novas alas, com 10 leitos cada uma, equipadas com respiradores e monitores cardíacos, entre outros aparelhos.

Nos Estados Unidos, uma ação coletiva de atletas busca arrecadar dinheiro para o combate ao coronavírus.

O "Athletes for Covid-19 Relief", uma iniciativa do Center for Disaster Philanthropy, reúne mais de cem esportistas de 20 modalidades diferentes que doam artigos autografados a um fundo de arrecadação. Essa memorabilia será sorteada entre os contribuintes de cada peça, e o valor arrecadado, destinado à prevenção, tratamento e impactos futuros da Covid-19.

Com doações de no mínimo US$ 25 (R$ 125), a pessoa que contribuir poderá, por exemplo, ganhar uma camiseta do Golden State Warriors com um autógrafo do astro do basquete Stephen Curry, doada pelo próprio atleta. Ou um skate assinado por Tony Hawk, lenda do esporte. O nadador Michael Phelps, dono de 23 medalhas de ouro olímpicas, doou uma touca e um óculos utilizados por ele.

Até o momento, a peça mais cobiçada do fundo é uma camiseta da seleção norte-americana autografada pela meio-campista Rose Lavelle, campeã do mundo com os Estados Unidos em 2019. O uniforme da jogadora de 24 anos já superou a marca de 180 doadores, arrecadando mais de US$ 6.600 (R$ 33 mil) pela camiseta.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a escalada de casos pode transformar em breve os Estados Unidos no novo epicentro da crise do coronavírus. Com menos de 100 casos no início de março, o país agora tem mais de 40 mil registros do contágio, ultrapassando a barreira de 500 mortes.

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