Justiça condena Mustafá por venda ilegal de ingressos do Palmeiras

Juiz converte 3 anos e 10 meses de reclusão em pagamento de multa

São Paulo

O Tribunal de Justiça de São Paulo considerou o ex-presidente do Palmeiras Mustafá Contursi Majzoub, 79, culpado por venda ilegal de ingressos, prática também conhecida como cambismo.

O ex-dirigente foi condenado com base em dois artigos da lei do Estatuto do Torcedor: "vender ingressos de evento esportivo por preço superior ao estampado no bilhete" e "fornecer, desviar ou facilitar a distribuição de ingressos para venda por preço superior ao estampado no bilhete".

Mustafá foi condenado a três anos e dez meses de reclusão, porém o juiz Ulisses Augusto Pascolati Junior converteu a pena no pagamento de 25 salários mínimos (equivalente a R$ 26,1 mil) a instituições de caridade, por conta da idade avançada do ex-dirigente.

Ele, que completará 80 anos em setembro deste ano, presidiu o Palmeiras de 1993 a 2004. Cabe recurso à decisão.

Mustafá Contursi presidiu o Palmeiras entre 1992 e 2004 - Eduardo Anizelli 17.mar.2017/Folhapress

Mustafá passou a ser investigado pela polícia em outubro de 2017. Segundo a acusação, ele recebeu 70 ingressos em cada partida do Palmeiras como mandante entre o final de 2016 e setembro de 2017. Os bilhetes teriam sido entregues pela patrocinadora Crefisa, gratuitamente, e vendidos pelo ex-presidente com a ajuda de um funcionário.

A principal patrocinadora do clube tem direito a ingressos na parte superior-oeste e central-oeste do Allianz Parque, com valor de face variável (simbólico) de R$ 20 a R$ 40. Testemunhas arroladas na investigação, porém, afirmam que pagavam entre R$ 200 e R$ 300 por ingresso.

Em junho de 2018, uma sindicância interna do Palmeiras concluiu que não houve irregularidade na conduta de Mustafá. O Ministério Público afirmou que não havia elementos que comprovassem o seu envolvimento e chegou a arquivar o caso.

Porém, após um pedido de José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, o órgão pediu novas investigações.

Lamacchia é casado com Leila Pereira, presidente da empresa, conselheira do Palmeiras e pré-candidata à presidência do clube em 2021.

O funcionário de Mustafá, que em depoimento confessou a prática e se declarou arrependido, disse que realizava a venda por meio de grupos de WhatsApp.

Em seu depoimento, o ex-presidente negou as acusações e declarou que recebia um envelope de Leila com 50 ingressos por jogo e os redistribuía gratuitamente.

Em entrevista à Folha em setembro de 2019, Mustafá disse que estava sendo acusado após ter se negado a apoiar uma mudança no estatuto do clube que era do interesse de Leila e fez com que ela antecipasse o direito de disputar a presidência do clube já em 2021.

A Folha procurou Mustafá para comentar a decisão. Ele não atendeu aos telefonemas da reportagem até a publicação deste texto.

ENTENDA O CASO

Caso de polícia - out.2017
Polícia abre inquérito para investigar notícia publicada na imprensa (ESPN) de que Mustafá Contursi, 79, estaria envolvido em venda irregular de ingressos cedidos pela Crefisa, patrocinadora do Palmeiras

Ingressos por votos - jun.2018
Sindicância interna do clube conclui não existir indícios de venda ilegal contra Mustafá, mas aponta que os ingressos foram distribuídos por interesses políticos do ex-presidente e de Leila Pereira, presidente da Crefisa

Arquivamento - set.2018
Ministério Público pede o arquivamento do caso por considerar que não existem elementos que comprovem o envolvimento do ex-presidente do clube nos crimes

Novas investigações - out.2018
José Roberto Lamacchia, marido de Leila Pereira e principal acionista da Crefisa, pede novas investigações

Denúncia - dez.2018
Ministério Público denuncia Mustafá Contursi com base nos artigos 41-F e 41-G do Estatuto do Torcedor

No 1º caso, a pena é de 1 a 2 anos de reclusão, além de multa. No 2º, de 2 a 4 anos de reclusão, além de multa

Condenação - mai.2020
Mustafá é condenado a três anos e dez meses de reclusão, porém, o juiz Ulisses Augusto Pascolati Junior converte a pena em pagamento de 25 salários mínimos

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.