Descrição de chapéu Campeonato Paulista 2020

Palmeiras bate Corinthians nos pênaltis e encerra jejum de 12 anos no Paulista

Jogo tem final emocionante, e time alviverde confirma sua 23ª conquista estadual

São Paulo

Os palmeirenses esperaram 12 anos para voltar a comemorar um título paulista. Neste sábado (8), quando já estavam muito perto disso, tiveram que esperar mais um pouco, porque Gustavo Gómez cometeu pênalti em Jô no último lance do segundo tempo do dérbi decisivo no Allianz Parque.

O atacante corintiano empatou o jogo em 1 a 1 e levou a decisão para novas penalidades. Nelas, o time alviverde levou a melhor, por 4 a 3, e conquistou o seu 23º Estadual.

A última taça palmeirense no Paulista havia sido levantada justamente com Vanderlei Luxemburgo no comando, em 2008, que agora volta a se sagrar campeão pelo clube. Além do próprio jejum, o time carregava a marca incômoda de ter sido derrotado pelo rival nas últimas três decisões que fizeram do torneio, em 2018, 1999 e 1995.

Há dois anos, foi o Corinthians que levou a melhor, também nos pênaltis e na casa alviverde, que neste sábado não recebeu torcedores por causa da pandemia de Covid-19. A doença já matou mais de 100 mil brasileiros, 25% deles no estado de São Paulo.

Sem palmeirenses entusiasmados nas arquibancadas, elas receberam mosaicos de Luxemburgo e do atacante Evair, campeões em 1993, última vez até então que o time havia superado o Corinthians em uma decisão estadual.

A lembrança de mais de duas décadas montou o cenário possível para exorcizar o longo período sem gritar "é campeão!" em um dérbi e impedir o inédito tetracampeonato do Corinthians no torneio.

Luiz Adriano, que não é Evair, subiu como um legítimo camisa 9 –apesar de vestir a 10– para marcar de cabeça o gol que abriu o placar após cruzamento do uruguaio Matías Viña.

Contratado no ano passado, o atacante dá um sinal a Luxemburgo e à torcida de que poderá ter mais protagonismo na equipe, especialmente depois da saída de Dudu.

O gol de Luiz Adriano dava o título ao Palmeiras até Gómez se precipitar, dar um carrinho na área e acertar Jô, que igualou o placar. Nos pênaltis, porém, Weverton fez duas defesas (Cantillo e Michel desperdiçaram) e foi determinante para o triunfo, confirmado depois do gol de Patrick de Paula.

Corintianos comemoram gol
Jô chegou a dar esperança para a torcida do Corinthians - Nelson Almeida/AFP

Palmeiras pressionou no início e foi melhor que o rival

O primeiro tempo começou com afagos entre Viña e Fagner, que trocaram chegadas mais duras com apenas quatro minutos de jogo. A rispidez dos primeiros minutos evocou a lembrança não muito agradável da partida de ida, mais falada e brigada do que jogada.

Mas o Palmeiras, que teve Willian titular no ataque na vaga de Rony, ganhou em construção de jogo por dentro, diminuiu o número de bolas longas com relação ao duelo de quarta e chegou a incomodar no início o Corinthians, que teve dificuldades para sair da pressão palmeirense nos primeiros 20 minutos.

Foi dos pés de Willian a principal chance da primeira etapa. Luiz Adriano recuou até a intermediária e enfiou em profundidade para Zé Rafael, que invadiu a área pela esquerda e, mesmo após se enrolar com a bola, conseguiu cruzar. Da pequena área, Willian chutou forte e parou no corpo de Cássio, que salvou a equipe corintiana.

O goleiro do Corinthians parece ser dos poucos de sua posição que não sentiu muito os efeitos da inatividade durante a pandemia. Aliás, foi por conta de falhas decisivas de goleiros que o time do técnico Tiago Nunes chegou à decisão.

Mesmo o palmeirense Weverton, com atuação importante no jogo de ida da final e decisivo nos pênaltis deste sábado, falhou logo no primeiro jogo da retomada do Paulista, justamente no dérbi, em Itaquera, que teve Cássio como principal nome.

Para o segundo tempo, Luxemburgo procurou dar mais profundidade ao ataque do Palmeiras trocando Ramires por Rony. Bruno Henrique entrou no lugar de Gabriel Menino e Zé Rafael, que era atacante, passou a compor o meio.

Quem também buscou dar mais profundidade para tentar ganhar um pouco de presença no ataque foi Tiago Nunes, que trocou Mateus Vital por Everaldo, que atua mais pelo lado de campo e aposta na velocidade.

Logo aos 3 minutos da etapa final, o uruguaio Matías Viña recebeu na esquerda e, com muita liberdade, cruzou milimetricamente para Luiz Adriano. O camisa 10 alviverde saltou sobre Danilo Avelar e testou firme para abrir o placar.

Luiz Adriano comemora gol que abriu o placar no Allianz Parque
Luiz Adriano comemora gol que abriu o placar no Allianz Parque - Nelson Almeida/AFP

Descontente com a falta de criação de sua equipe, Tiago Nunes sacou Gabriel, amarelado, para colocar Víctor Cantillo, que em condições normais provavelmente seria titular no Corinthians desde a volta do campeonato. Contudo, o colombiano foi infectado pela Covid-19 e só estreou no Paulista na partida de ida da final.

Sem conseguir melhorar a geração de jogo por baixo, o Corinthians passou a buscar a área palmeirense pelo alto. Felipe Melo e Gustavo Gómez, atentos, conseguiram manter o perigo longe da meta de Weverton.

O paraguaio, inclusive, fazia jogo impecável até os últimos segundos de jogo. Sidcley cruzou da esquerda, Jô conseguiu dominar na grande área e Gómez, de carrinho, derrubou o centroavante no lance final da partida. Pênalti anotado por Luiz Flávio de Oliveira.

Jô, em sua terceira passagem pelo clube e tendo reestreado com a camisa do Corinthians há poucas semanas, foi para a cobrança e bateu, rasteiro, para deixar tudo igual e levar a decisão para as penalidades máximas.

Nas batidas, brilhou a concentração de Weverton, que defendeu dois pênaltis corintianos, de Michel e Cantillo. Avelar, Sidcley e Jô acertaram suas penalidades.

Bruno Henrique foi único a perder pelo Palmeiras, que confirmou o título, apesar do susto no fim do tempo normal, com os acertos de Raphael Veiga, Gustavo Scarpa, Lucas Lima e Patrick de Paula, este o símbolo do que de melhor o time alviverde mostrou nas duas partidas diante do rival.

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