Descrição de chapéu Campeonato Paulista 2020

Cria da várzea, Patrick se firma no Palmeiras e define Paulista

Jovem bateu pênalti decisivo na final meses após ser promovido por Luxemburgo

São Paulo

Da Taça das Favelas a ser um personagem fundamental na quebra do jejum de 12 anos do Palmeiras no Campeonato Paulista. Essas são as duas pontas da por enquanto curta, mas já marcante trajetória de Patrick de Paula, 20, no clube alviverde.

Criado nos campos de várzea de Santa Margarida, bairro na zona oeste do Rio de Janeiro que abriga o projeto Cara Virada Futebol Arte, o meia teve a responsabilidade de bater o pênalti decisivo da final contra o Corinthians —menos de sete dias depois de fazer o gol da vitória na semifinal contra a Ponte Preta (o seu primeiro no time profissional.

Prestes a completar 21 anos, em 8 de setembro, o jovem Patrick não foge da responsabilidade em campo, enquanto nas entrevistas ainda é tímido. “Estou muito feliz, trabalhei bastante para estar aqui comemorando o título com meus companheiros”, afirmou à reportagem da TV Globo após o título.

No pouco que disse, ainda revelou que treinou pênaltis durante a semana, antes de correr para comemorar seu primeiro título na equipe principal.

Natural do Rio Janeiro, Patrick morava no bairro de Campo Grande com os pais, dois irmãos, uma sobrinha e seu cunhado.

Até 2016, ele treinava treinava em um projeto social carioca. Pelo Cara Virada, o meio-campista chegou a disputar o estadual do Rio de futebol amador. Ao mesmo tempo, fazia parte do Mamaô, outra equipe de sua comunidade, pela qual jogou a Taça das Favelas.

"Quando eu passei no teste [do Palmeiras], demorou a cair a ficha de que eu jogaria num grande time, no maior do Brasil", afirmou à Folha em sua primeira entrevista exclusiva, em janeiro deste ano.

Na base alviverde, foi campeão brasileiro sub-20, em 2018, e da Copa do Brasil da mesma categoria, em 2019. Agora, definiu um título que o clube não conquistava desde 2008.

Patrick comemora após marcar contra a Ponte Preta, na semifinal do Paulista
Patrick comemora após marcar contra a Ponte Preta, na semifinal do Paulista - Rubens Cavallari - 2.ago.2020/Folhapress

Na oportunidade, o técnico da equipe também era Vanderlei Luxemburgo, que além da conquista nesta temporada venceu o torneio em 1993, 1994 e 1996.

"E perguntam: por que eu coloquei um menino de 20 anos para bater? Porque eu tenho 68 anos e não ia bater na bola. Há dois anos ele estava na favela jogando bola [...] Ele não está nem aí para bater o pênalti. Ele vai fazer isso aí", afirmou o treinador sobre a escolha do último batedor.

"Às vezes pega uma bola e me faz morrer do coração, na outra faz jogadas maravilhosas. Vai amadurecer ao longo do tempo", completou.

Tímido fora de campo, mas imponente no gramado, Patrick ascendeu rapidamente no time titular do Palmeiras após ser promovido pelo treinador no início de 2020. E se depender de suas referências e inspirações, pode continuar a despontar.

"Eu gosto muito do Busquets e do De Jong [ambos do Barcelona]. Eu jogo parecido com eles, com posse de bola, movimentação e ajudo meus companheiros", comparou no início do ano o jovem palmeirense, campeão e protagonista do título paulista.

Além de Patrick, Gabriel Menino também foi titular nos dois jogos da final contra o Corinthians. Outro jogador revelado na base que estabeleceu seu lugar entre os 11 de Luxemburgo, projetando uma parceria no meio de campo que poderá ser muito útil ao Palmeiras.

Patrick de Paula, 20, volante do Palmeiras
Patrick de Paula, 20, volante do Palmeiras - Bruno Santos - 8.jan.2020/Folhapress
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