Crespo já eliminou Abel da Champions em dia de azar para o português

Técnicos de São Paulo e Palmeiras se enfrentaram duas vezes como atletas, em 2006

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São Paulo

Aos 15 minutos do primeiro tempo, o lateral direito Marco Caneira, do Sporting, sentiu uma lesão e precisou ser substituído. Em seu lugar, entrou Abel Ferreira, que ganhou a possibilidade de jogar uma partida de Champions League no estádio San Siro, em Milão.

Entretanto, apenas 12 minutos depois de pisar no gramado, foi o próprio Abel que pediu para sair, após lance com Javier Zanetti. Nova lesão na equipe portuguesa, que forçou o técnico Paulo Bento a colocar o substituto Miguel Veloso.

A Inter já era melhor no confronto, e não demorou para que Hernán Crespo desse a vantagem aos italianos. O centroavante recebeu lançamento primoroso de Stankovic nas costas da defesa do Sporting, amorteceu no peito e chutou forte da entrada da área para anotar o 1 a 0, aos 36 da etapa inicial.

Gol solitário que serviu para definir o duelo e, com a vitória, classificar o clube de Milão às oitavas de final. Já o time português perdeu qualquer chance de vaga no mata-mata da competição.

Hernán Crespo celebra gol pela Inter de Milão, um dos cinco clubes italianos em que atuou
Hernán Crespo celebra gol pela Inter de Milão, um dos cinco clubes italianos em que atuou - Dima Korotayev - 23.out.2007/AFP

O encontro de 22 de novembro de 2006, na quinta rodada da fase de grupos da Champions, foi o segundo e último entre Hernán Crespo e Abel Ferreira como jogadores profissionais de futebol.

Nesta sexta-feira (16), em duelo válido pela 5ª rodada do Campeonato Paulista e que foi remarcado após a suspensão do campeonato, ambos estarão frente a frente de novo, agora como técnicos de Palmeiras e São Paulo. A partida será disputada no Allianz Parque, às 22h, com transmissão do Premiere.

O primeiro duelo entre eles como jogadores havia acontecido meses antes da partida no San Siro, e teve vitória dos portugueses pela contagem mínima, na estreia das equipes na Champions da temporada 2006/2007.

Na ocasião, Abel foi titular na lateral-direita e atuou toda a partida, enquanto Crespo entrou aos 26 do segundo tempo, no lugar do brasileiro Adriano, e não pôde evitar a derrota da Inter.

Um triunfo para cada, mas foi o duelo pela quinta rodada, na Itália, que definiu a sorte de ambos os clubes. Na rodada final e já sem possibilidade de ir às oitavas, o Sporting ainda perdeu para o Spartak Moscou, em Lisboa, e terminou sua participação na lanterna do Grupo B, sem a vaga na então Copa da Uefa, hoje Europa League.

Com a ressalva do azar pela lesão de Abel, o enfrentamento em Milão, do qual Crespo saiu vitorioso, sintetiza de certa forma o que foram suas carreiras como atletas. Um deles teve destaque internacional, enquanto o outro construiu trajetória muito mais discreta.

Crespo foi um centroavante importante, de sucesso no futebol argentino e na Europa, especialmente na Itália. Com a camisa da seleção de seu país, chegou a ser o segundo maior goleador da história da equipe nacional, atrás apenas de Gabriel Batistuta, para depois ser ultrapassado por Kun Agüero e Lionel Messi.

Entre seus títulos mais importantes, conquistou uma Copa Libertadores e uma Copa da Uefa, além de três edições da Serie A italiana e uma Premier League.

Faltou ao atacante, porém, um título de Champions League, justamente a taça da competição pela qual duelaram ele e Abel naquela fase de grupos em 2006.

O atacante esteve muito perto de conquistar o torneio com a camisa do Milan, mas acabou participando de uma das maiores reviravoltas já vistas na história do futebol.

Com dois gols de Crespo, os milanistas venciam o Liverpool por 3 a 0 no intervalo da final da Champions de 2004/2005, em Istambul. Na etapa final, os ingleses marcaram três vezes em um intervalo de sete minutos e levaram a decisão para os pênaltis. Nas cobranças, o Liverpool foi melhor e ficou com o título.

Já Abel Ferreira nunca esteve próximo de levantar o troféu da principal competição de clubes do mundo.

Lateral dedicado, mas apenas mediano, experimentou o auge somente no fim da carreira. Revelado pelo Penafiel, passou pelo Vitória de Guimarães e pelo Braga, antes de chegar por empréstimo ao Sporting, em 2006, onde atuou quase sempre como titular até sua aposentadoria, em 2011, aos 33 anos.

Pelo clube de Lisboa, foi bicampeão da Taça de Portugual e da Supertaça. Segundo a base de dados do site Transfermarkt, anotou cinco gols e distribuiu 16 assistências nas cinco temporadas em que defendeu o time da capital.

Foi convocado duas vezes para a seleção portuguesa por Luiz Felipe Scolari, mas nunca chegou a entrar em campo pela equipe nacional.

Penduradas as chuteiras, ambos seguiram a carreira de técnico, com inícios similares. Tanto Crespo como Abel debutaram na nova função comandando equipes de base em clubes nos quais haviam se destacado. O argentino no Parma, e o português, no Sporting.

Abel Ferreira, 42, nunca tinha conquistado um título sequer como treinador até que chegou ao Palmeiras, no fim do ano passado, para suceder Vanderlei Luxemburgo. Em menos de um semestre, levou o clube ao topo da América e faturou também a Copa do Brasil.

Assim como o rival, Hernán Crespo, 45, ainda não havia sido campeão de nada até a temporada passada em sua curta carreira de técnico. Com o Defensa y Justicia, time modesto da região metropolitana de Buenos Aires, conquistou a última edição da Copa Sul-Americana, trabalho que o levou ao Morumbi.

Na última quarta-feira (14), o Defensa, hoje treinado pelo argentino Sebastián Beccacece, venceu o Palmeiras nos pênaltis e se sagrou campeão da Recopa.

Os tempos de cabelos mais vastos, jogos por competições europeias e a plenitude física já são memória distante na vida desses dois protagonistas do clássico desta sexta-feira.

Adversários no Choque-Rei, o Crespo e o Abel que estarão à beira do gramado são, apesar de mais maduros do que há 15 anos, homens que ainda têm uma carreira inteira pela frente com a prancheta na mão.

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