Dirigente do Atlético-GO rebate críticas por vacinação e chama Casagrande de 'viciado'

Jogadores da equipe tomaram imunizante fornecido pela confederação sul-americana

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São Paulo

O presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-GO, Jovair Arantes, respondeu agressivamente às críticas destinadas ao clube por ter recebido 44 doses de vacina contra a Covid-19 na semana passada. Ele se incomodou particularmente com o comentário do ex-jogador Walter Casagrande, da TV Globo, e o atacou.

“Vou falar de um dos que fizeram críticas, o Casagrande. Se perguntassem se buscar cocaína no Paraguai era bom, ele falaria que é, porque ele é viciado em droga e não está acostumado com preparo físico, com respeitar vidas, com preservar vidas”, disse o dirigente, em entrevista à Rádio BandNews FM.

Casagrande, 58, fala sempre abertamente sobre a dependência química e os problemas que ela lhe causou. O tema foi amplamente abordado nos três livros do ex-jogador a respeito sua vida, e o último deles, “Travessia”, dá especial atenção à questão. O comentarista procura passar uma mensagem de esperança aos dependentes e afirma estar livre das drogas desde 2015.

O vício, porém, é frequentemente usado por seus detratores. E foi a arma encontrada pelo presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-GO para se defender das críticas dirigidas ao clube –em seu espaço na Globo, o ídolo do Corinthians censurou a atitude da agremiação e a considerou “um absurdo”, “uma falta de respeito e empatia com as vítimas do coronavírus no Brasil”.

Na última semana, jogadores, membros da comissão técnica e o presidente do Atlético, Adson Batista, tomaram a vacina no Paraguai. Quem ofereceu o imunizante foi a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), que recebeu doações do laboratório chinês Sinovac e decidiu distribuir 50 mil doses de Coronavac entre seus filiados.

Em compromisso válido pela Copa Sul-Americana, o Atlético-GO foi atuar em Assunção, onde fica a sede da Conmebol, e se tornou o primeiro time brasileiro a aceitar a ajuda. Houve vários questionamentos à atitude, já que os atletas não estão entre os grupos prioritários do Brasil, e a equipe foi acusada de furar a fila.

Atlético-GO toma vacina no Paraguai, enquanto Ministério da Saúde não se decide
Jogador do Atlético-GO recebe a primeira dose de Coronavac no Paraguai; clube ainda precisa definir logística da aplicação da segunda dose - Divulgação/Conmebol

“O que o Atlético-GO fez, e fez muito bem, foi tomar a vacina lá, porque é uma vacina oferecida pela Conmebol, não custa um centavo para o Brasil. Com esse volume de vacinas que estamos tomando, é economia para o Brasil, e nós entendemos que a prática esportiva deva ser preservada também”, disse Arantes.

“O Atlético sempre primou pela prática esportiva, pela vida, pelo respeito aos protocolos, desde o começo. O Atlético é um time que está absolutamente correto. Os que estão fazendo essa tempestade em copo d’água são os imbecis do politicamente correto”, acrescentou o presidente do Conselho Deliberativo.

O dirigente, por fim, fez críticas à legislação brasileira, que exige doação ao SUS (Sistema Único de Saúde) de vacinas adquiridas por instituições privadas. Pelas regras atuais, só após a imunização dos grupos prioritários as empresas poderão comprar vacinas para seus funcionários, desde que doando 50% ao PNI (Programa Nacional de Imunizações).

“Se necessário fosse, estaríamos comprando a vacina para das aos nossos atletas. O governo brasileiro, me desculpe, imbecilmente não permite que se comprem as vacinas. Se permitissem, o Brasil já estaria quase todo vacinado. Eles ficam fazendo guerra política em vez de procurar trazer vacinas”, concluiu o cartola.

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