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Com Benzema, França busca confirmar favoritismo na Euro e repetir geração 2000

Campeã do mundo em 1998, equipe conquistou o título da Eurocopa dois anos depois

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São Paulo

Aos 31 anos e campeão do mundo com a França, Didier Deschamps sabia, quando levantou a taça da Eurocopa em 2000, que aquela muito provavelmente seria sua última conquista com a seleção.

A sensação com o título, além de alegria, era a de dever cumprido para uma geração que soube aproveitar a reunião de grandes talentos e conquistar os principais torneios que atravessaram o caminho daquele grupo de atletas.

Deschamps, ao centro e segurando a taça, celebra a Euro de 2000 abraçado em Thierry Henry
Deschamps, ao centro e segurando a taça, celebra a Euro de 2000 abraçado em Thierry Henry - Philippe Huguen - 2.jul.2000/AFP

Duas décadas depois, o mesmo Deschamps se vê em situação semelhante, agora do banco de reservas.

Comandante do título mundial em 2018, ele quer repetir como técnico a dobradinha que conseguiu como jogador, ciente de que algumas das referências da base campeã na Rússia talvez não tenham muito mais tempo de competição em alto nível com a camisa da seleção.

A Euro 2020 (adiada para este ano em razão da pandemia) começa nesta sexta-feira (11), com o duelo entre Italia e Turquia. Finalista em 2016, quando perdeu a decisão para Portugal, a França estreia na terça (15), diante da Alemanha

Apesar de as caras mais conhecidas ainda gozarem de plenitude física e técnica, a espinha dorsal da campanha vitoriosa na última Copa do Mundo já se aproxima do fim de ciclo com a equipe nacional. Hugo Lloris tem 34 anos, Antoine Griezmann e N'Golo Kanté têm 30, e Raphael Varane e Paul Pogba, 28.

Difícil prever por quanto tempo mais conseguirão competir na elite e liderar os jovens franceses que abastecerão o futuro da seleção. Exatamente por isso, Deschamps sabe que a oportunidade deve ser aproveitada. Afinal, após o título da Eurocopa em 2000, os franceses só voltaram a levantar uma taça 18 anos depois.

"A França poderia escalar um time A, um time B e um time C porque neste momento tem um número incrível de jogadores de alto nível", disse José Mourinho, técnico da Roma.

"Não vejo fraquezas [na seleção francesa]. Se eu tivesse que apontar um campeão, eu diria que serão eles, porque o grupo de atletas é fantástico. Quando você tem Kylian Mbappé na sua equipe, é muito difícil não sair vitorioso", completou o português.

Mbappé e Griezmann, campeões do mundo em 2018, guiarão a França na Eurocopa
Mbappé e Griezmann, campeões do mundo em 2018, guiarão a França na Eurocopa - Franck Fife - 2.jun.2021/AFP

A esse grupo que já provou sua força, Didier Deschamps incorporou mais um nome de peso, que ao menos tecnicamente aportaria ainda mais qualidade ao jogo francês.

Karim Benzema, 33, voltou a atuar com a camisa da França após seis anos afastado da equipe nacional. Recordar o motivo de seu afastamento é uma das chaves para imaginar como será a experiência de ter o atacante do Real Madrid em um elenco que foi finalista de Euro e campeão do mundo sem sua ajuda.

Em 2015, Benzema foi acusado de ser cúmplice de uma tentativa de extorsão ao seu companheiro de seleção Mathieu Valbuena, para que não fosse divulgado um vídeo com conteúdo sexual do atleta, que atuava à época no Lyon.

Investigado, o atacante foi impedido judicialmente de se aproximar de Valbuena, o que impossibilitaria que ambos compartilhassem convocações na equipe nacional. Nem ele nem Benzema fizeram parte do grupo vice-campeão europeu em 2016, que já tinha Didier Deschamps no comando.

Sobre o retorno do jogador às convocações e ao elenco que disputará a Eurocopa, o técnico afirmou que teve com ele uma longa conversa e, depois de muita reflexão, optou por chamá-lo de volta.

Seu desafio, agora, será encaixar Benzema no time, que antes tinha Olivier Giroud como referência no ataque. Nas duas partidas de preparação para a Euro, o atacante foi titular. Contra País de Gales, perdeu um pênalti, e saiu lesionado do confronto com a Bulgária –Giroud entrou em seu lugar e anotou dois gols na vitória por 3 a 0.

"Estou curioso para ver Karim Benzema. A França foi campeã do mundo e vice da Euro sem ele. Se Didier Deschamps quer atingir a terceira final consecutiva de um torneio de peso, como a Espanha fez de 2008 a 2012 e a Alemanha de 1972 a 1976, o técnico francês terá de saber como integrar Benzema, um homem de personalidade", escreveu no Guardian o alemão Phillip Lahm, campeão mundial com a Alemanha em 2014 e vice da Eurocopa em 2008.

Lahm coloca a Bélgica como outra das favoritas à conquista. Elenco mais velho da Euro com média de idade de 28,7, os belgas querem aproveitar a qualidade da melhor geração de sua história para conquistar o primeiro título internacional do país.

Além de França, Bélgica e Portugal, atual campeã do torneio e que conta com Cristiano Ronaldo, quem também desponta como candidata a levar o troféu é a Inglaterra, que, assim como a Bélgica, foi semifinalista da Copa do Mundo em 2018.

Diferentemente de seus concorrentes, porém, os ingleses têm a segunda equipe mais jovem da competição (24,6 anos em média), atrás apenas da Turquia.

"A Inglaterra é provavelmente –ao lado do Brasil– um dos dois países mais difíceis para ser técnico de seleção por conta da expectativa que o povo tem sobre o time. Eles [os atletas] precisam ser muito fortes emocionalmente para lidar com essa pressão. Se eles conseguirem isso, terão grandes chances. A fase de grupos é em casa, a semifinal e a final também serão", afirmou José Mourinho, que trabalhou no Tottenham antes de assumir a Roma.

Itinerante, Euro terá 24 participantes e estádio lotado

Em celebração aos 60 anos da competição, a Eurocopa de 2020 recebeu um aumento no número de seleções participantes, de 16 para 24 equipes, divididas em seis grupos com quatro países cada.

Cada seleção disputa três jogos na fase de grupos, e os dois primeiros colocados de cada chave, assim como os quatro melhores terceiros, classificam-se às oitavas de final.

Os grupos da Euro

  • Grupo A

    Turquia, Itália, País de Gales e Suíça

  • Grupo B

    Dinamarca, Finlândia, Bélgica e Rússia

  • Grupo C

    Holanda, Ucrânia, Áustria e Macedônia do Norte

  • Grupo D

    Inglaterra, Croácia, Escócia e República Tcheca

  • Grupo E

    Espanha, Suécia, Polônia e Eslováquia

  • Grupo F

    Hungria, Portugal, França e Alemanha

Itinerante, a disputa se dará em 11 sedes: Amsterdã (Holanda), Baku (Azerbaijão), Bucareste (Romênia), Budapeste (Hungria), Copenhague (Dinamarca), Glasgow (Escócia), Londres (Inglaterra), Munique (Alemanha), Roma (Itália), São Petersburgo (Rússia) e Sevilha (Espanha).

Como a liberação de torcedores depende das autoridades locais, os estádios terão capacidades distintas para o torneio. Baku e São Petersburgo, por exemplo, confirmaram jogos com até 50% da lotação.

Budapeste, capital da Hungria, tem a meta mais ousada para a competição: ocupar 100% da capacidade da Puskás Arena.

Além de medidas como o uso de máscara, distanciamento de 1,5 m entre um torcedor e outro, respeito ao assento marcado no ingresso e a recomendação para evitar apertos de mão e abraços, as autoridades húngaras pedem aos estrangeiros que apresentem testes negativos de Covid-19, feitos até 72 horas das partidas, comprovação de infecção prévia ou uma prova de que a pessoa esteja vacinada.

Para os locais, será pedido apenas o ingresso e o cartão húngaro de imunidade. Menores de 18 anos estão isentos da obrigatoriedade do documento.

A Eurocopa começa nesta sexta-feira (11) e vai até o próximo dia 11 de julho. A decisão será disputada no estádio de Wembley, em Londres. A Globo e o SporTV transmitem o torneio.

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