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US Open tem final feminina jovem, surpreendente e multicultural

Canadense Leylah Fernandez, 19, e britânica Emma Raducanu, 18, tentam ampliar façanha

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São Paulo

A final feminina de simples do US Open, neste sábado (11), vai coroar a 14ª campeã inédita de um torneio do Grand Slam desde 2015.

Se a presença de novas tenistas em ascensão tem sido a marca dos principais eventos do circuito nos últimos anos, a decisão entre Leylah Fernandez e Emma Raducanu eleva o nível de surpresa para patamares inéditos.

O duelo entre a canadense Fernandez, 19, e a britânica Raducanu, 18, será realizado às 17h, com transmissão da ESPN, do SporTV 3 e do canal de streaming Star+.

Montagem com fotos das duas tenistas vibrando
Emma Raducanu, à esq., e Leylah Fernandez, as surpreendentes finalistas do US Open - Ed Jones/AFP e Elsa/Getty Images/AFP

As duas jovens são de 2002 e, portanto, ainda não haviam nascido no trágico 11 de setembro de 2001, data que completa 20 anos neste sábado com particular comoção em Nova York, palco do US Open.

Outra coincidência entre elas é que ambas nasceram no Canadá, em famílias marcadas por trajetórias de imigração.

O pai de Leylah, e também um dos seus treinadores, é Jorge Fernandez, equatoriano que se mudou aos 4 anos para a América do Norte e jogou futebol profissionalmente. Sua mãe descende de filipinos. Natural de Montreal, a atleta hoje treina na Flórida.

Dois meses mais nova, Raducanu nasceu em Toronto, filha de pai romeno e mãe chinesa, que trabalham no setor financeiro. Quando ela tinha dois anos, a família se estabeleceu na Inglaterra.

No último duelo entre duas jogadoras com menos de 20 anos na decisão do US Open, em 1999, Serena Williams e Martina Hingis já eram nomes conhecidos. A americana, que na ocasião conquistou o primeiro dos seus 23 títulos de Slam, entrou no torneio como sétima cabeça de chave, enquanto a suíça estava no topo do ranking.

Desta vez, ninguém poderia dizer que Fernandez, 73ª colocada antes do torneio, e Raducanu, 150ª, estariam juntas a apenas uma vitória do seu primeiro título de Slam.

A canadense, com um troféu da elite profissional no currículo, participa pela sétima vez na carreira de um dos quatro maiores torneios. Em 2019, ela foi campeã juvenil em Roland Garros e vice no Australian Open.

Leylah agachada na quadra, gritando de alegria
Leylah Fernandez vibra após garantir sua vaga na final do US Open - Timothy A. Clary/AFP

Para chegar a essa etapa, Leylah precisou superar desconfianças e obstáculos. Um deles foi a distância da mãe, que no início da adolescência da tenista se mudou para a Califórnia por melhores condições de trabalho e para sustentar os planos esportivos da filha. Dos 10 aos 13 anos, elas pouco conviveram.

“Muita gente duvidou de mim, da minha família e dos meus sonhos. Eles ficavam dizendo que eu não seria uma jogadora profissional de tênis”, Fernandez declarou após sua vitória nas semifinais. “Lembro-me de uma professora que me disse para parar de jogar tênis, porque eu nunca iria conseguir, e apenas me concentrar na escola.”

Por motivos diferentes, a britânica também poderia hoje estar distante dos principais palcos do esporte. “Eu nunca realmente percebi que seguiria carreira no tênis até cerca de dois anos atrás. Eu sempre tenho minha educação como um backup. Estava levando isso ao lado do tênis. Eu tinha opções, e ainda tenho. Mas obviamente estou 100% no tênis agora”, afirmou também após triunfar nas semis.

Há dois meses, Raducanu ganhou convite para a chave principal de Wimbledon e avançou até as oitavas de final. A então número 338 do mundo enfrentou a australiana Ajla Tomljanovic e abandonou a partida com problemas respiratórios quando perdia por 6/4, 3/0.

Emma com as mãos na cabeça e expressão de incredulidade
Emma Raducanu diz estar em choque com a campanha no US Open - Timothy A. Clary/AFP

A surpreendente campanha fez com que ela saltasse muitas posições no ranking, mas não o suficiente para entrar diretamente na chave principal do US Open.

Sua sequência de vitórias sem perder sets em Nova York começou ainda na fase qualificatória, na qual precisou ganhar três partidas, e se estendeu por mais seis duelos rumo à final, os dois últimos contra a campeã olímpica Belinda Bencic, 11ª cabeça de chave, e a grega Maria Sakkari, 17ª.

É a primeira vez que uma tenista saída do quali disputa uma final de Grand Slam, feito que até hoje nunca ocorreu na chave masculina.

Fernandez teve uma rota mais acidentada, mas mostrou força em quatro partidas de três sets. Derrubou, em sequência, a bicampeã do US Open Naomi Osaka (3ª cabeça de chave), a campeã Angelique Kerber (16ª), Elina Svitolina (5ª) e Aryna Sabalenka (2ª).

"Acho que tenho feito coisas incríveis. Uma palavra que realmente grudou em mim é "mágico", porque não apenas minha sequência é muito boa, mas também a maneira como estou jogando. Estou apenas me divertindo, tentando produzir algo para o público aproveitar. Estou feliz que tudo o que estou fazendo na quadra os fãs estão adorando, e eu também. Diremos que é mágico", definiu a canadense.

Numa tentativa de descrever o que fez até agora, Raducanu também se assombra. "Uma surpresa. Sim, honestamente, não consigo acreditar. Um choque. Louco. Tudo isso."

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