Hamilton critica Qatar por violações de direitos humanos antes de F1 no país

Piloto da Mercedes diz que esportistas têm o dever de tocar nesse assunto durante eventos

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São Paulo

Em Doha, às vésperas da realização do GP do Qatar, às 11h deste domingo (21), o inglês Lewis Hamilton pediu que sejam investigadas as denúncias de violação de direitos humanos no país e na Arábia Saudita. Esta última nação sediará a corrida em 5 de dezembro.

O Qatar caminha para receber a Copa do Mundo de 2022. Desde que as obras para o evento começaram, o país tem sido denunciado por maus-tratos e trabalho escravo, o que teria provocado até mortes de alguns trabalhadores.

"Nós estamos cientes de que existem problemas nesses lugares [Qatar e Arábia Saudita] para onde vamos. Mas é claro que [o Qatar] parece ser considerado um dos piores nesta parte do mundo", afirmou Hamilton, em entrevista.

Lewis Hamilton transita pelo circuito Lusail, durante GP do Qatar - Andrej Isakovic - 18.nov.2021/AFP

"Quando esportistas vão para esses locais, eles têm o dever de colocar em foco esses problemas. Esses lugares precisam de escrutínio. Direitos iguais são uma questão séria."

Conforme a Folha publicou nesta sexta (19), a quase um ano do início da Copa, o governo local e a Fifa têm tentado mostrar uma mudança na imagem de exploração dos trabalhadores.

A Arábia Saudita, sob monarquia do rei Salman bin Abdulaziz Al Saud, convive com denúncias de perseguição aos opositores do regime. Entre elas, a morte do jornalista Jamal Khashoggi, crítico do governo, assassinado e esquartejado dentro da embaixada do país em Istambul em 2018.

Na briga pelo seu oitavo título de F1, Hamilton pede que demais personalidades do esporte também se manifestem. "Precisamos dar visibilidade para essas situações. Uma pessoa pode fazer diferença, mas o coletivo tem um impacto maior. Eu gostaria que mais atletas falassem dessas questões", diz o piloto da Mercedes.

Assim como o presidente da Fifa, Gianni Infantino, o chefe da F1, o italiano Stefano Domenicali, evitou polemizar em entrevista à BBC. Para ele, o simples fato de a modalidade seguir para esses países ajudará em mudanças.

"Uma mudança tão grande não pode acontecer da noite para o dia, leva tempo", diz o executivo.

A largada do GP do Qatar, o antepenúltimo desta temporada, será neste domingo, às 11h. O holandês Max Verstappen, da Red Bull, lidera o campeonato com 332,5 pontos. Hamilton, com 318,5, tentará alcança-lo.

Também nesta sexta, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) informou que os comissários do GP de São Paulo, disputado no domingo (14), decidiram não conceder para a Mercedes o direito de revisão do incidente entre Max Verstappen e Lewis Hamilton.

Na ocasião, o holandês empurrou o rival para fora da pista ao se defender de uma ultrapassagem na volta 48 e ambos saíram do circuito. Apesar de a própria F1 divulgar um vídeo no qual é possível ver o piloto da Red Bull frear tardiamente e movimentar pouco o volante, não contornando a curva no traçado correto, a entidade entendeu que as evidências não são contundentes para justificar o direito de revisão.

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