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Céu, a menina que sabe voar

Desenhista desde os três anos, ela manda recados por meio da sua arte

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São Paulo

A mineira Céu tem sete anos e um nome muito apropriado para a sua personalidade. É que Céu está sempre voando. Com lápis e caneta nas mãos, a menina deixa a imaginação flutuar livre, e o resultado são desenhos —muitos desenhos— com um estilo próprio, que ela inventou por volta dos três anos.

Funciona assim: Céu cria a imagem de alguma coisa que pode ser um animal, planta ou uma pessoa, e coloca junto uma frase. E o que ela diz neste texto é tão importante quanto o que está desenhado. Às vezes são conselhos, às vezes são broncas, ou mesmo mensagens sobre coragem.

Menina de franja segura um de seus desenhos, com um recorte mostrando um pedaço de pele
Céu Vassou, 7 anos, segura um de seus desenhos - Arquivo Pessoal

Um dia, ela voou alto e imaginou uma vaca que, exausta de ser ordenhada, resolveu virar uma sereia. Em outro, fez um desenho cor-de-rosa e escreveu que o cérebro é algo muito lindo, mas é uma pena que tanta gente não o use.

Tem dias em que Céu está muito produtiva. Seus pensamentos não param, então ela entende que também não pode parar. “Fico correndo pra lá, e pra cá”, diz. Na cabeça, está criando os novos desenhos, e também alguns filmes que pensa um dia fazer.

Ela mora em Montes Claros, no norte de Minas Gerais. “Eu moro com a minha vó, minha mãe e minha tia. Aqui não tem homem nenhum”, conta, rindo. Tem sido assim desde que ela nasceu. Na época, sua mãe, Raissa, tinha 25 anos.

É ela quem conta um pouco da história de Céu. Raissa fala que a filha, que já desenhava muito, na quarentena passou a desenhar ainda mais.

A avó de Céu trabalha em um supermercado, e traz de lá toda semana caixas com papel reciclado para a neta usar. “Dura só seis dias”, diz Raissa.

Os desenhos ficam guardados em uma gaveta e em uma caixa. Várias vezes, Céu pega uma das produções antigas para acrescentar algum novo detalhe, ou consertar algo de que não gosta mais.

Ela não sabe dizer se desenha todos os dias, mas explica que não é a qualquer momento que a inspiração vem. “É só à noite”, especifica.

“Gosto de inventar pessoas, escolher a pele, escolher a cor do cabelo, fazer a roupa. E eu também gosto de imitar lugares. Gosto de imitar casa, de inventar a casa por dentro. Eu gosto de aves. Aves são tão fofas. E gosto de cachorro, mas as aves são mais fofas do que os cachorros”, acha.

Sempre que faz um desenho novo, ela corre para mostrar para a mãe. Raissa compartilha com seus seguidores no Instagram os desenhos de Céu que ela mais gosta. Milhares de pessoas elogiam, e muita gente também pede para comprar algumas das artes.

Céu conta o que aconteceu quando descobriu que não só gostavam do que ela faz, mas que também queriam apoiá-la. “Eu me senti normal. E chocada!”, grita, feliz.

Além de trabalhar na sua arte, Céu também gosta de passar seu tempo ouvindo música. Sempre que pode, pede para a mãe colocar sua playlist favorita no celular.

Mas, se o momento não permite escutar música de verdade, Céu também dá um jeito. “A música fica tocando lá dentro do meu cérebro, como se fosse uma música de fundo.”

“Às vezes eu invento umas músicas. Esses dias inventei uma que chama ‘Coração de Robô’”, conta. Céu é fã das cantoras Letrux e Luedji Luna. “Gosto demais daquela música que chama ‘Asas”, conta.

Nada mais justo que sonhar ser alada quando se é uma menina chamada Céu.

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