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05/07/2012 - 22h49

Gabeira e Luiz Eduardo Soares discordam sobre eficácia das UPPs na Flip

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MARCO RODRIGO ALMEIDA
DO ENVIADO ESPECIAL A PARATY (RJ)

O jornalista e ex-deputado federal Fernando Gabeira e o antropólogo Luiz Eduardo Soares fizeram na noite desta quinta-feira (5) a mesa mais política da décima edição da Flip, em Paraty.

Acompanhe a cobertura da Flip

Mediados pelo jornalista e escritor Zuenir Ventura, eles debateram a tradição autoritária na política brasileira, ao longo de nossa história e nos dias atuais. Foram aplaudidos em vários momentos.

Soares, ex-secretário nacional de Segurança Pública do governo Lula e um dos autores de "Elite da Tropa" 1 e 2, que deram origem aos dois filmes "Tropa de Elite", se definiu como otimista em relação à consolidação da damocracia brasileira. Destacou, no entanto, vários entraves autoritários que persistem mesmo após o fim da ditadura militar.

"Temos que reconhecer que ainda existe a brutalidade do Estado, as torturas contra pobres e negros, as execuções extrajudiciais", disse Soares, sob aplausos do público.

Já Gabeira começou sua fala fazendo um panorama das tendências democráticas na história brasileira, desde a independência do país. Para ele, na base dessas tendências está a crença de que o povo não teria capacidade de votar, escolher por si prórpio.

Adriano Vizoni/Folhapress
Mesa com Luiz Eduardo Soares e Fernando Gabeira na Flip
Mesa com Luiz Eduardo Soares e Fernando Gabeira na Flip

"Na história do autoritarismo no Brasil, você não encontra heróis e vilões. Talvez só um romancista possa explicar", afirmou Gabeira.

Perguntado por Zuenir sobre as tendências autoritários e populistas de Leonel Brizola e Antony Garotinho, Gabeira afirmou que ambos tentaram estender a experiência de Getúlio Vargas (1882-1954).

"O Lula tem um pouco isso também", pontuou Gabeira. "O desejo deles é falar com as massas, ignorar o sistema político e os partidos."

Gabeira foi ovacionado ao qualificar a união de Lula e Paulo Maluf na campanha de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo como exemplo do "lamentável sistema político brasileiro". "Você não sabe quem é quem", disse ele.

Em outro momento aplaudido, Gabeira disse que Lula e o PT se comportam como a personagem da peça "A Visita de Uma Senhora", do suíço Friedrich Durrenmatt. Expulsa de sua cidade por ser uma prostituta, ela volta depois, já rica, para se vingar. "Na peça, ela diz: 'O mundo fez de mim uma puta, vou fazer do mundo um bordel'".

*COMISSÃO DA VERDADE* 

Outro assunto discutido foi a Comissão da Verdade, tentativa de investigar crimes e desaparecimentos ocorridos durante a ditadura militar.

Soares argumentou que, na transição da ditadura para a democracia, passamos diretamente para a reconciliação sem "o momento da verdade". "Empurramos a barbárie para debaixo do tapete. Não demos nomes aos bois. Não chamamos a tortura pelo nome que ela merece", afirmou.

"Acho que a comissão", completou Soares, "com todas as suas restrições, pode oferecer uma repactualização nacional, chamando o crime por seu nome".

Gabeira, que participou da luta armada e foi exilado político, diz não esperar muito da comissão e confiar mais na pressão da impressa e das pessoas para a apuração dos fatos. Como exemplo, citou os avançoes nas relações familiares, no comportamento da mulher e na questão gay. "Esse avanço não se deve ao universo político, mas à sociedade", acredita Gabeira.

UPPs
A implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em comunidades do Rio de Janeiro foi outro ponto de discordância entre eles. Para Soares, trata-se de uma grande conquista. "Basta conhecer de perto o que elas substituíram: as incursões bélicas, as mortes de inocentes, a insegurança que se generalizava, dividindo a cidade. Agora temos um bom-senso, fazendo com que nossa realidade seja parecida com a de qualquer sociedade democrática."

Já para Gabeira, "é uma ilusão a gente pensar que as UPPs resolveram todas as questões. "O ideal seria pensar numa política de segurança para todo o Estado do Rio."

No final, um dos comentários escritos pela plateia reclamou das críticas feitas ao PT e recebeu uma leve vaia. Zuenir Ventura disse que a autora da pergunta se chamava Marina. "Silva?", brincou Gabeira, em referência à ex-senadora.

E então emendou: "Embora nossa mesa possa ter feito alguma crítica ao PT, nossa ideia não é ser partidário. Não há nenhum interesse em julgar o PT. O PT é um personagem secundário aqui, estamos falando do Estano Novo, da Proclamação da República."

 

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