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Oscar

Greta Gerwig faz história difícil parecer fácil em 'Lady Bird'

Cheio de referências autobiográficas, 1º longa da atriz concorre a cinco estatuetas no Oscar, inclusive melhor filme

Teté Ribeiro
São Paulo

LADY BIRD - A HORA DE VOAR (LADY BIRD)

  • Quando estreia nesta quinta (15)
  • Classificação 14 anos
  • Elenco Saoirse Ronan, Laurie Metcalf e Lucas Hedges
  • Produção EUA, 2017
  • Direção Greta Gerwig

"Lady Bird" é a graciosa estreia na direção da atriz Greta Gerwig, 34, e parece que só poderia ter saído da cabeça dela, cheio de referências à sua vida, além de ter boas piadas, ser inteligente e dramático.

Greta já tinha escrito dois longas com seu parceiro, Noah  Baumbach, o ótimo "Frances  Ha" (2012) e o médio "Mistress  America" (2015). Agora, pega o filme todo na mão e faz uma homenagem à sua cidade natal, Sacramento, na Califórnia, e uma história de amadurecimento da garota que dá nome ao longa.

Saoirse Ronan ("Desejo e Reparação" e "Um Olhar do Paraíso"), 23, interpreta a protagonista da trama, uma menina terminando o colegial em uma escola católica de Sacramento, em 2002, e já sonhando em fazer faculdade em Nova York (mesmo roteiro da vida de Greta).

Ela insiste que seus amigos e parentes a chamem de Lady Bird, apelido que inventou para si mesma na infância.

A atriz está muito bem no papel, é de longe uma de suas melhores interpretações. Venceu o Globo de Ouro (na categoria comédia) e está indicada ao Oscar. A favorita deste ano é Frances McDormand, de "Três Anúncios para um Crime", mas lá estará Saoirse, na corrida.

Os pais da garota, interpretados por Laurie Metcalf (a mãe de Sheldon em "Big Bang Theory") e Tracy Letts, estão duros e torcendo para que a filha escolha uma universidade pública na própria cidade, tudo o que ela não quer.

Ela está no auge da complicação da vida que vem com essa fase de mudanças. É impulsiva (se joga de um carro em movimento), teimosa e rebelde. Na escola, faz teatro e se apaixona pelo protagonista da peça, um menino doce e ultracatólico.

Greta Gerwig já era uma presença conhecida no mundo indie; é a mais promissora da mesma turma de que saiu Lena Dunham, de "Girls". E faz uma história difícil parecer fácil.

Lady Bird é uma personagem deliciosa, apesar de ser uma pentelha com a mãe e trair a melhor amiga. O filme, diferente de tudo que tem por aí, parece ao mesmo tempo familiar. Todo mundo já viveu pelo menos alguma das situações em que Lady Bird se mete, e quase ninguém resolveu o drama com tanta graça ou sorte.

As cenas com a mãe são as mais intensas, a relação delas vive cheia de amor mas também de conflito. Uma briga dentro de um carro em movimento é depois contemporizada com uma cena doce em que as duas escolhem vestidos em um brechó.

A parte final, que não vamos contar aqui, faz do longa uma história que se conclui nela mesma, sem deixar grandes arestas nem maiores adivinhações para o público.

A vida dos personagens vai seguir, claro, mas todos os conflitos são resolvidos com verdade e surpresa. Uma primeira obra de uma diretora e roteirista à qual, cada vez mais, vale a pena prestar atenção.

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