Descrição de chapéu Crítica

Documentário revê atentado no Riocentro

'Missão 115', de Silvio Da-Rin será exibido no festival É Tudo Verdade

Corpo do sargento Guilherme do Rosário no estacionamento do Riocentro, em abril de 1981; objetivo era detonar bombas no pavilhão, onde acontecia show
Corpo do sargento Guilherme do Rosário no estacionamento do Riocentro, em abril de 1981; objetivo era detonar bombas no pavilhão, onde acontecia show - divulgação
 
Naief Haddad
São Paulo

Obras lançadas nestes primeiros meses de 2018 jogam luz sobre instituições e momentos da ditadura militar. São iniciativas que veem o regime em aspectos específicos.

Embora o movimento ainda se revele tímido diante da barafunda de episódios mal esclarecidos, as novidades chegam em boa hora.

São os casos do livro “Tanques e Togas: o STF e a Ditadura Militar” (ed. Companhia das Letras), de Felipe Recondo, e do documentário de Belisário Franca, “Soldados do Araguaia”, que esteve recentemente em cartaz nos cinemas de São Paulo.

O também documentário “Missão 115” se junta a essas obras de revisão histórica. 

O atentado no Riocentro, em abril de 1981, é o tema do novo filme de Silvio Da-Rin, cujas primeiras exibições acontecem nesta quinta (12) na edição paulistana do festival É Tudo Verdade. 

O principal acerto do diretor carioca é tomar como fio condutor os depoimentos de Claudio Guerra, que espantam pela clareza. 

Ex-delegado do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), com participação em ações como o Riocentro, ele se arrependeu da repressão truculenta aos opositores da ditadura militar.

“Inicialmente, [eu atuava] como executor de operações, tirando a vida de pessoas. Depois, ocultando cadáveres. Posteriormente, fui estrategista, preparando alguns atentados”, ele lembra.

Definida a transição para a democracia durante o governo Geisel (1974-1979), formaram-se grupos secretos, ligados direta ou indiretamente ao Exército. Pretendiam boicotar a abertura, prolongando o poder militar.

Entre o final dos anos 1970 e o início da década de 1980, essas organizações de extrema direita promoveram pelo menos 36 atentados no Rio. 

Visavam instilar o pânico entre os brasileiros, que poderiam, quem sabe, aceitar a manutenção do regime como forma de conter a esquerda armada. Àquela altura, porém, o terrorismo era outro, era o terrorismo de Estado. 

O atentado no Riocentro foi a ação desses agentes secretos com maior repercussão.

O sargento Guilherme Pereira do Rosário e o capitão Wilson Dias Machado tinham a missão de detonar bombas no pavilhão onde ocorria show do Dia do Trabalho. 

Mas a explosão aconteceu antes da hora, dentro do carro Puma onde eles estavam, matando o sargento, como se vê na foto acima, e ferindo gravemente o capitão. 

Houve tentativa oficial de atribuir a responsabilidade a grupos de esquerda, mas a farsa não colou. 

“Missão 115” se enfraquece em passagens com excesso de depoimentos, alguns redundantes. Além disso, faz encenação canhestra de militar preparando bomba.

Falta, portanto, requinte à linguagem. Mas é inegável o valor histórico e simbólico do documentário, especialmente em ano eleitoral. 

MISSÃO 115

  • Onde Em SP, hoje (12), no IMS, às 19h e 21h; qui. (19), às 13h, no Sesc 24 de Maio. Rio, seg. (16), às 20h30, no Estação Net Botafogo, e qua. (18), às 14h, no IMS
  • Preço Grátis
  • Produção Brasil, 2017
  • Direção Silvio Da-Rin

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