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Prêmio alemão Echo será extinto após premiar rappers acusados de antissemitismo

Canção vencedora na categoria hip-hop fala de corpos 'mais definidos que o de um preso de Auschwitz'

Guilherme Magalhães
Berlim

Depois da polêmica envolvendo dois rappers premiados neste ano, a organização do principal prêmio da música alemã anunciou nesta quarta-feira (25) que o Echo será extinto.

A dupla Kollegah e Farid Bang foi acusada de antissemitismo pela canção "0815", presente em seu último álbum, "Jovem, Brutal e Belo 3", com o qual venceu o Echo na categoria Hip-Hop/Urbano no último dia 12. A letra diz que seus corpos estão "mais definidos que o de um preso de Auschwitz".

"Os eventos em torno do Echo deste ano, pelos quais a diretoria se desculpou, não podem ser revertidos. Mas deve-se ter a preocupação de erros como esse não se repetirem no futuro", informou em nota a Associação da Indústria da Música da Alemanha.

Os rappers Kollegah e Farid Bang, durante a premiação Echo, na qual venceram na categoria hip-hop
Os rappers Kollegah e Farid Bang, durante a premiação Echo, na qual venceram na categoria hip-hop - AFP

O anúncio ocorre no mesmo dia em que marchas contra o crescente antissemitismo acontecem em várias cidades na Alemanha. Nas últimas semanas foram registrados episódios de bullying em escolas alemãs contra alunos judeus.

"De forma alguma deseja-se que este prêmio seja percebido como uma plataforma para o antissemitismo, a violência contra a mulher ou a homofobia", declarou a associação alemã de música.

A organização afirmou que a "marca Echo foi tão gravemente danificada que é necessário um novo começo, o que também implica um realinhamento do Echo Klassik e do Echo Jazz". 

Ao contrário desses dois outros prêmios, o Echo premia, desde 1992, artistas em 22 categorias com base nas vendas, o que catapultou o disco de Kollegah e Farid Bang, que já vendeu mais de 200 mil cópias na Alemanha.

Agora, um júri deve ter papel mais ativo na escolha dos premiados. Um workshop para definir o formato do novo prêmio será realizado em maio. A Associação da Indústria de Música da Alemanha diz ter abordado instituições para ajudar a discutir o debate sobre a liberdade da arte e suas fronteiras.

Kollegah e Farid negaram qualquer apologia ao antissemitismo —Kollegah chegou a oferecer ingressos gratuitos para fãs da dupla que fossem judeus.

A ex-presidente do Conselho Central dos Judeus, Charlotte Knobloch, que é sobrevivente do Holocausto, havia classificado a premiação dos rappers como "um sinal devastador".

A vitória dos rappers fez com que outros artistas premiados pelo Echo o rejeitassem em protesto. Patrocinadores também haviam se afastado da premiação. A gravadora Bertelsmann cancelou o contrato com Kollegah e Farid.

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