Descrição de chapéu caetano veloso música mpb

'Ofertório' é truque para manter a família por perto, brinca Caetano Veloso

Com os filhos Zeca, Tom e Moreno, baiano toca sexta (25) e sábado (26) no Espaço das Américas

Rafael Gregorio
São Paulo

“Isso tudo é apenas um truque meu para manter a família por perto. Você sabe, os filhos crescem e vão ficando mais distantes...”

Quem o diz é Caetano Veloso, e parece sincera a explicação do baiano sobre como nasceu o show “Ofertório”, que ele e os filhos Tom, Zeca e Moreno apresentam no Espaço das Américas nesta sexta (25) e no sábado (26).

Um germe de ideia, diz Caetano, nasceu após um show no Sesc com Moreno, em uma série intitulada Pais e Filhos.

Tom, Zeca, Caetano e Moreno Veloso, que apresentam o show ‘Ofertório’ em São Paulo
Tom, Zeca, Caetano e Moreno Veloso, que apresentam o show ‘Ofertório’ em São Paulo - Marcos Hermes/Divulgação

“Fiquei sonhando com isso por muito tempo, há ao menos uns três anos. Mas o Zeca não queria, então esperei até que ele finalmente se decidiu.”

A partir daí, o trabalho consistiu em levantar o repertório. Nesta etapa, pai e filhos descobriram que não precisariam de músicos adicionais: eles mesmos seriam a banda.

Foram três meses de estudos, principalmente para Zeca, que costuma compor ao piano ou ao violão mas, em “Ofertório”, toca contrabaixo.

No repertório, temas de Caetano, como “O Leãozinho”, o funk “Alexandrino” e “Trem das Cores” (1982) —escrita para a atriz Sônia Braga quando ambos namoravam.

Entram também composições dos filhos, tal qual “Um Canto de Afoxé para o Bloco do Ilê”, de Moreno, e “Todo Homem”, de Zeca, que virou trilha da série “Onde Nascem os Fortes”, da Rede Globo.

Caetano e Zeca falaram à imprensa em uma entrevista na última semana, no escritório do YouTube em São Paulo, para anunciar que os shows em São Paulo marcam o lançamento em CD e DVD de um registro feito em outubro —à época, a apresentação ainda se chamava “Caetano Moreno Zeca Tom Veloso”.

Durante a entrevista, Zeca manifestou diversas vezes seu desconforto com a rotina do estrelato, pontuada, por exemplo, por encontros com jornalistas.

“As coisas aconteceram muito rápido; há um ano e pouco eu não imaginava estar em um projeto desse tamanho, lançando composições minhas. Dá um susto.”

Embora compusesse e tocasse para amigos e familiares, ele era iniciante no negócio musical, ao contrário dos irmãos —Moreno tem vasta produção, tanto solo quanto em grupos, como a Orquestra Imperial, e Tom já era músico e compositor da banda carioca Dônica.

Segundo Zeca, o que a família mais ouviu em comum durante a elaboração do espetáculo foi Djavan. 

“Mas gosto de ouvir muito pop, coisas que tocam na rádio, tipo funk. São gêneros que estão sempre se reinventando, enquanto outras áreas mais respeitadas da música têm posturas mais conservadoras.”

Mais confortável em meio aos jornalistas, o patriarca preferiu passar ao largo do conteúdo musical do show para focar o que chamou de “repertório emocional”.

Mesmo assim, disse ter fiado mais tenso que de costume à época do início da turnê, também porque a uma semana da estreia, eles resolveram mudar o repertório quase inteiro.

Mas a experiência de viajar a trabalho com os filhos compensa tudo, afirma ele —e ainda traz um senso de juventude. “É o que há de melhor na minha vida agora”, diz Caetano, emocionado.

 

Ofertório
Sex. (25) e sáb. (26), às 22h30, no Espaço das Américas, r. Tagipuru, 795, Barra Funda, São Paulo. Ing.: R$ 140 a R$ 240, pelo site ticket360.com.br. 14 anos.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.