São Paulo Companhia de Dança repassa trajetória em cena para celebrar 10 anos

Temporada com 'Supernova', 'Peekaboo' e 'Pássaro de Fogo', de Marco Goecke, começa quinta (21)

Iara Biderman
São Paulo

O tempo passa? A pergunta que rege a temporada comemorativa dos dez anos da SPCD (São Paulo Companhia de Dança) é autorreferente e inspirada no poema de Carlos Drummond de Andrade (1902-87). A resposta do poeta: "Não passa/ No abismo do coração".

A companhia completou uma década de existência em janeiro e inicia temporada de três semanas, cada uma delas com um programa diferente, no Teatro Sérgio Cardoso. Na primeira leva, que começa nesta quinta (21), há três obras do premiado coreógrafo alemão Marco Goecke.

Elas falam do tempo histórico da SPCD, que foi a primeira companhia no Brasil a dançar uma obra de Goecke ("Supernova", em 2011), teve uma criação exclusiva do coreógrafo ("Peekaboo", de 2013) e apresentou no ano passado o seu "Pas de Deux do Pássaro de Fogo".

Tratam também do tempo em si, questão recorrente para a dança, a mais efêmera das artes. "Supernova", uma das criações mais aplaudidas de Goecke desde sua estreia, em 2009, é a coreografia dessa efemeridade. "Qual é o seu último passo antes de desaparecer na escuridão?", perguntou aos bailarinos do Scapino Ballet, de Roterdã, enquanto criava a coreografia.

Nesta primeira semana, o público também poderá ver o elenco em uma das obras mais remontadas da companhia, "Peekaboo", brincadeira infantil de esconde-esconde. O tempo do espetáculo é o da fantasia e o do humor poético, bastante presente no trabalho de Goecke.

"Para mim, humor é o ponto de equilíbrio, a única coisa que torna a vida suportável e que geralmente acontece por acaso", afirma.

Além dessas duas obras, a Noite Marco Goecke da SPCD apresenta também o duo do "Pássaro de Fogo", uma história de criação e recriação: a fênix que renasce das próprias cinzas e a obra feita para a comemoração dos cem anos da estreia de "Firebird", composta por Stravinsky para o balé de Michel Fokine.

A homenagem não é uma remontagem do "Pássaro de Fogo" original, mas uma coreografia totalmente nova.

Na segunda semana de espetáculos (de 28/6 a 1º/7), a pergunta-tema da celebração —o tempo passa?— fica ainda mais explícita. O programa começa com "14'20''", nome e tempo de duração do duo criado por Jirí Kylián. Os bailarinos Ana Paulo Camargo e André Grippi ganharam o prêmio APCA 2017 de melhores intérpretes com essa coreografia.

Segue com duas estreias de jovens coreógrafos brasileiros. "Petrichor" (palavra que designa o cheiro da chuva, produzido quando a água cai em solo seco), de Thiago Bordin, e "Instante", de Lucas Lima. O programa é finalizado por "Gnawa", do espanhol Nacho Duato, um best-seller da história da SPCD.

Na terceira semana (5 a 8 de julho), o tempo se concentra no "Melhor Único Dia", criação de Henrique Rodovalho para a companhia. O coreógrafo, diretor do grupo goiano Quasar, trabalha com o elenco de bailarinos como se eles fossem bichinhos alados atraídos para a luz, que perdem as asas ao encontrar o objeto de sua atração. A trilha é uma criação original de Pupillo, na voz da cantora Céu.

A programação da última semana, a mais eclética da temporada, inclui um clássico de repertório, "Suíte de Raymonda", coreografado por Guivalde de Almeida a partir do original do século 19 de Marius Petipa, e a contemporânea "Primavera Fria", criada em 2017 pelo natalense Clébio Oliveira para a SPCD.

A companhia retoma as celebrações em novembro, com "O Lago dos Cisnes", na versão de Mario Galizzi.


SPCD 2018

Qui. e sáb., às 21h, sex., às 21h30, e dom., às 18h, no Teatro Sérgio Cardoso, r. Rui Barbosa, 153, Bela Vista. Ing.: R$ 30 a R$ 50 em ingressorapido.com.br ou na bilheteria. Até 8/7.

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