Descrição de chapéu Global Media

Diretor de museu de Portugal pede demissão após restrição em mostra de Robert Mapplethorpe

Exposição do fotógrafo americano conta com retratos de artistas como Richard Gere e Iggy Pop

O diretor artístico do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, João Ribas, pediu nesta sexta-feira (21) a demissão do cargo. A sua decisão ocorreu devido a imposição de uma restrição etária, só para maiores de 18 anos, à parte de uma exposição fotográfica do americano Robert Mapplethorpe (1946-1989).

Fotografia da mostra 'Alair Gomes e Robert Mapplethorpe' que foi apresentada na galeria Fortes, D'Aloia & Gabriel, em 2017
Fotografia da mostra 'Alair Gomes e Robert Mapplethorpe' que foi apresentada na galeria Fortes, D'Aloia & Gabriel, em 2017 - Divulgação

A rádio portuguesa TSF confirmou a demissão através de fonte oficial de Serralves.

A exposição reúne imagens que percorrem toda a carreira de Mapplethorpe. Há retratos de Richard Gere, de Iggy Pop e de muitos outros, como a amiga e cantora Patty Smith, mas também fotografias sexualmente explícitas.

A exposição, a primeira em Portugal de Mapplethorpe, abriu com menos 20 fotografias do que as 179 inicialmente anunciadas por Ribas. Segundo o JN , as imagens não foram expostas por não existir espaço suficiente nas salas destinadas à exposição e não por decisão da administração. Em declarações ao jornal português Público, que avançou a notícia, João Ribas explicou não ter condições para continuar a ocupar o cargo.

Na quinta-feira (20), Ribas acompanhou o repórter da TSF Rui Tukayana numa visita à mostra. Nela, o diretor artístico demissionário explicou que não cabe ao museu de Serralves condicionar o que os visitantes veem e que essa é uma escolha do público. O sexo é um tema constante em toda a exposição e em todas as salas há nudez e temas homoeróticos, sendo que uma delas é mesmo dedicada ao sadomasoquismo. À entrada, há avisos para o conteúdo explícito, e até a fundação Mapplethorpe chama a algumas dessas imagens de "desafiantes".

"A função do museu é representar as complexidades do nosso tempo e é fazer isso com bom senso e dando oportunidade a todos de poderem ver a exposição", disse João Ribas.

Autorretrato do fotógrafo norte-americano Robert Mapplethorpe - Robert Mapplethorpe/Divulgação

Nesta mesma visita, João Ribas defendeu que esta era uma exposição que representaria uma mais-valia para o museu, adiantando que não foi organizada a pensar no pudor mas sim na importância de "um artista que foi mostrado em museus pelo mundo inteiro, obras que são absolutamente fundamentais na história da arte e que são vistas por centenas de milhares de pessoas".

Em comunicado, a administração do Museu de Arte Contemporânea de Serralves afirmou que "não retirou nenhuma obra da exposição" e acrescentou que "desde o início, a proposta da exposição foi apresentar as obras de cunho sexual explícito numa zona com acesso restrito."

Diz, ainda, que "dado o teor de várias das obras expostas e sendo Serralves uma instituição visitada anualmente por quase um milhão de pessoas de todas as origens, idades e nacionalidades, incluindo milhares de crianças e centenas de escolas, a Fundação considerou que o público visitante deveria ser alertado para esse efeito, de acordo com a legislação em vigor."

Por fim, afirma que a exposição é composta por "159 obras do autor, todas elas escolhidas pelo curador desta apresentação", que foi o próprio direto do museu, João Ribas. Quanto à demissão, não há qualquer comentário.

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