Nicki Minaj faz política com arco-íris de gente no palco e no público

Pela primeira vez no Brasil, rapper fez show fechado para fãs e convidados no Credicard Hall, em SP

Adriana Küchler
São Paulo

“Todos os ícones LGBT estão aqui”, diz Guilherme Morais, cabelos oxigenados, sobrancelhas pintadas de vermelho. Cinco minutos antes, chorava no meio-fio por não ter conseguido um ingresso para o primeiro show da rapper Nicki Minaj no Brasil.

O choro comove alguém com convite sobrando e Guilherme vai se misturar aos ícones LGBT e a outros tantos pop —​Liniker, Jaloo, Iza, Ludmilla, Emicida, Lia Clark, Gloria Groove apontam meus vizinhos de show —​​ e ao mar de barbz, como são conhecidos os fanáticos devotos da cantora, na última quarta (26) no Credicard Hall, em São Paulo.

Rapper mais prestigiada de sua geração, com estilo abusado, letras ousadas e bem-humoradas, um flow (estilo de rimar) único e uma amplitude vocal que às vezes a faz parecer várias cantoras em uma, Nicki agrada tanto aos fãs do hip hop quanto aos do pop, para o qual caminha com cada vez mais empáfia.

No recém-lançado quarto álbum de estúdio, “Queen” (rainha, como é tratada pelos fãs), mescla convidados tanto de um estilo (Eminem, Lil Wayne) quanto do outro (Ariana Grande, The Weeknd).

Os números atestam o sucesso da fórmula: 92 milhões de seguidores no Instagram, 41 milhões no Facebook, 20 milhões no Twitter (ah, e 20 milhões de singles e 5 milhões de álbuns vendidos, cifras que importam cada vez menos no mercado).

Nascida Onika Tanya Maraj em Trinidad e Tobago e criada no Queens, em Nova York, Nicki, com seu 1,57 m, teria dificuldade de enxergar o próprio show se na plateia estivesse — em algumas áreas, era preciso driblar um paredão de drag queens com saltos descomunais e perucas de todas as cores do arco-irís e um levante de iphones e androids para conseguir avistar a cantora.

No palco, Nicki desfila seus hits e sua potência vocal ao lado dos outros atributos que a coroaram rainha dos barbz: o look ousado, o estímulo à idolatria dos fãs (Adalberto ganhou até a chance de se declarar ao microfone), a malemolência e as curvas volumosas sempre em evidência e sem nenhum sinal de pudor.

O corpo exuberante de Nicki, aliás, se destaca em meio aos de seus bailarinos magros e torneados, que remexem em volta dela e de um unicórnio dourado de dar inveja ao cavalo branco de Joey e Chandler em “Friends”.

À diversidade do público se soma a dos dançarinos: são mulheres e homens negros, brancos, latinos, asiáticos —e até uma japonesa loira—​​  celebrando juntos. Para os fãs que esperavam por uma manifestação mais política da cantora, quando até celebridades internacionais aderem a causas brasileiras, Nicki parece dizer que sua forma de fazer protesto é outra.

 
Nicki joga para a plateia promovendo um “twerk challenge”, mais conhecido entre nós como concurso de dança da bundinha, entre fãs aos som de “Vai Malandra”, de Anitta, e “Bum Bum Tam Tam”, de MC Fioti.

Seguem-se os hits cantados pela rapper e pelo coro do público: “Majesty”, “Truffle Butter”, “Ganja Burn”, “Chun-li”. Guilherme ficou extasiado com “Superbass”, o grand finale pop, mas sentiu falta de “Anaconda”.

Outros barbz sentiram falta de poder prestigiar a primeira aparição brasileira de Nicki. O show era um evento fechado, promovido pela plataforma de streaming de músicas Tidal, do rapper Jay-Z, e por uma operadora de celular. Além dos convidados VIP, a multidão de fãs teve de concorrer ingressos em uma promoção online  —ou chorar por uma entrada na porta do evento.        
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