Roger Waters protesta contra Bolsonaro a 30 segundos de limite proibido; veja vídeo

Músico britânico cometeria crime eleitoral se fizesse protesto após 22h em show em Curitiba

Imagem do show de Roger Waters em Curitiba
Imagem do show de Roger Waters em Curitiba - Rafael Moro Martins
Rafael Moro Martins
Curitiba

Segundos antes das 22h, Roger Waters interrompeu a execução de “Welcome to The Machine”, quinta canção de seu show em Curitiba, para exibir um pequeno vídeo de repúdio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). 

“São 9:58. Disseram que não podemos falar sobre a eleição depois das 10 da noite. É lei”, estava escrito no telão. “Só temos 30 segundos. Essa é a nossa última chance de resistir ao fascismo antes do domingo”, continuava a mensagem, finalizada com um “ele não!”. 

Parte do público aplaudiu e puxou um coro de “ele não”. Outra reagiu gritando “mito”. Indiferente, Waters retomou a canção que havia interrompido. 

Na sexta (26), véspera do show, a produção do concerto foi notificada pela Justiça Eleitoral de que Waters cometeria crime eleitoral se fizesse comentários de cunho político após as 22h. 

A punição seria uma multa, com valor arbitrado pelo juiz. Se fosse feita depois da meia-noite de domingo, dia da eleição, uma eventual manifestação de Waters poderia ser considerada boca de urna, passível de prisão, informou o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR).

Após “Another Brick in The Wall”, que encerrou a primeira parte do show, coros de “mito” misturados a gritos de “ele não” fizeram Waters, sozinho no palco, ter de esperar para falar com o público. 

“Também amo vocês”, ele disse, com um sorriso irônico nos lábios. Depois, explicou que as crianças que subiram ao palco durante a execução da canção mais famosa do disco “The Wall” eram todas de Curitiba. 

Durante intervalo para a segunda parte, nomes de políticos que Waters considera neofascistas foram exibidos no telão. O de Bolsonaro, que habitualmente fecha a lista, foi coberto por uma tarja preta.

Waters e sua banda —destaque para o guitarrista Jonathan Wilson, que assumiu os vocais que cabiam a David Gilmour nas canções do Pink Floyd— encerraram o show pouco depois da meia-noite com “Comfortably Numb”.

​Após entregar o que todos desejavam —uma profusão de hits de sua antiga banda—, o britânico saiu ovacionado do palco e mesmo a parcela bolsonarista do público, que o vaiara antes, se rendeu ao show impecável, ainda que previsível. 

E Waters, no fim, não será preso em Curitiba.

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