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Andrei Tarkovski preferia imagens abstratas e simbólicas

O 25º volume da Coleção Folha Grandes Diretores no Cinema chega às bancas em 13 de janeiro

Cena do filme 'Andrei Rublev', de Andrei Tarkovski - Divulgação
Cristiane Martins
São Paulo

Andrei Tarkovski enxergava como tempo perdido a estrutura dramática normal, prolongada em excesso para explicar ao público tudo o que está acontecendo. Preferia imagens abstratas e simbólicas ao representar sonho, memória e pensamento.

"Andrei Rublev", sobre um monge-pintor russo de ícones e afrescos que sofre uma crise criativa foi aclamado no exterior como obra-prima e negado à exibição geral na União Soviética. O longa marca um afastamento das convenções do realismo socialista após a morte de Stálin, em 1953.

Tarkovski preferiu retratar Rublev em um caminho de horrores, alcançando a beleza pela vivência nesses lugares e propondo uma reflexão sobre o papel do artista e do belo ante crueldades. A obra é apresentada no 25º volume da Coleção Folha Grandes Diretores no Cinema, que chega às bancas em 13 de janeiro.

O diretor morreu aos 54 anos em 1986, e se manteve com forte influência em seu país, apesar da perseguição política e estética. Suas obras foram vistas como "místicas" e "elitistas", distantes do "interesse do povo".

Faltava-lhe, diziam autoridades, falar do trabalhador.

"Os sonhos, a memória, a religiosidade, o devaneio, a evasão metafísica, as evidências parapsicológicas ou o mutismo são recorrentes na obra do diretor e podem ser lidos como manifestações de sua crença no poder de a arte transcender a matéria e revelar o que nela se oculta. Mas podem também ser interpretados como uma forma de resistência ao regime", diz Cássio Starling Carlos, crítico da Folha e curador desta coleção.

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