'Venci no final', diz baixista que foi expulso dos Sex Pistols e chamado de volta

Glen Matlock, 62, retorna ao Brasil para cantar e tocar violão no show de Supla

Glen Matlock se apresenta no Rock in Rio de 2015 no show da banda Brothers of Brazil, de Supla (ao fundo) - Eduardo Anizelli - 26.set.2015/Folhapress
Ivan Finotti
São Paulo

É a quinta vez que Glen Matlock, 62, o baixista original dos Sex Pistols, aparece no Brasil. Desta vez, ele vem para cantar e tocar violão no show “Illegal”, de Supla, que acontece na noite deste sábado (12) no Sesc Belenzinho. Sex Pistols, para quem não conhece, foi a banda que fez o punk explodir (n)o planeta em 1977, com o álbum “Nevermind the Bollocks”.

Mas Matlock não tocou no álbum. Foi expulso antes das gravações, substituído por Sid Vicious, que tampouco tocou porque não sabia tocar nada.

Matlock, entretanto, assina em coautoria 10 das 12 canções do disco amarelo, incluindo os clássicos “Anarchy in the UK” e “God Save the Queen”.

Questionado se vai cantá-las e tocá-las no show em São Paulo, fez mistério: “Você vai ter que ir para ver”. Depois, relaxou e confirmou ambas, além de “Pretty Vacant”. "Essa eu fiz a letra", contou.

Matlock acabou de lançar um álbum solo, em outubro de 2018, “Good to Go”, puro rock’n’roll, disponível nas plataformas de streaming.

 

É verdade que você foi expulso dos Sex Pistols porque gostava de Beatles?

Isso é bobagem. Invenção do Malcom McLaren. Eu saí porque eu e John [Lydon, o cantor, também conhecido como Johnny Rotten] não nos dávamos bem. E Malcolm havia inventado essa banda de caricaturas. Eu queira estar numa banda de verdade. Quando eu estava nos Sex Pistols, éramos uma versão do The Who, sabe? Uma banda de garotos para a garotada. E depois virou algo diferente. Acho que foi um pouco desonesto.

Você e John trocaram uns murros?

Não chegou a tanto. Era mais discussão mesmo. Ele era como se apresentava no palco. O tempo inteiro. Bem podre. O que o fazia ele ser bom no palco não é o que você necessariamente quer sentado ao seu lado. 

Como era o método de composição das canções no Sex Pistols?

Basicamente alguém vinha com uma ideia e nós todos ficávamos brincando em cima. Johnny ficava no canto cantando, colocando algumas palavras. A maioria foi assim, mas não todas. Em “Pretty Vacant”, eu escrevi a letra. Em “Submission”, eu e Johnny trabalhamos nos versos juntos. Daí a banda entrava e mexia um pouco. E começávamos a brigar.

E sua relação com Sid Vicious, que o substituiu?

Sid não tocou no disco. Steve [Jones, guitarrista] tocou o baixo. Mas Sid era meu vizinho. Em 1978, toquei num show dele para que ele tivesse dinheiro para viajar pros Estados Unidos. Ele era realmente junkie, bem ruim. Era um bom cantor. Não sabia escrever uma letra, mas cantava bem.

Você ganha uma grana de direitos autorais por ter composto essas músicas?

É, mais ou menos. Não o suficiente. Então tenho que trabalhar. Que é o que estou fazendo aqui. Em seguida vou à Argentina tocar com alguns amigos de lá. Tenho sorte que me chamam para coisas.

Se arrepende de ter deixado os Sex Pistols em 1977?

Foi o que foi. Ficou grande, mas era maior ainda em 1996, quando me chamaram para voltar para a banda e fazer a turnê Filthy Lucre [que passou pelo Brasil]. Poderiam ter chamado qualquer baixista do mundo, mas me chamaram. Então acho que venci no final.

Você ainda toca punk rock?

Não. Meu último disco é rock’n’roll. Mesmo com os Sex Pistols, nós não começamos com uma banda punk. As pessoas começaram a chamar assim depois.

Parece que você é um grande fã dos Faces [banda de Rod Stewart e Ron Wood nos anos 1970], certo?

Sim, e eu fui do Faces. Houve uma volta [em 2010], com Mick Hucknall, do Simply Red, no vocal substituindo Rod Stewart. Foi a melhor coisa que fiz na vida. E agora Ronnie Wood é meu vizinho, eu sempre encontro com ele passeando com o cachorro em Little Venice [zona oeste de Londres].

Como conheceu Supla?

Não me lembro bem, mas o Supla é um cara que eu vou para Los Angeles, ele está lá; se eu vou para Nova York, ele está lá. É engraçado. Uma vez ele me telefonou, estava em Londres e eu perguntei o que ele estava fazendo. “Vou ver futebol, assistir West Ham versus Millwall. Vamos lá?”, ele disse. “Futebol?”, respondi. “Sim, vou lá para ver as brigas.” Eu disse “Supla, faz dez anos que não tem briga de torcidas aqui.” No dia seguinte, abro o jornal e está lá: uma enorme pancadaria. E o Supla lá no meio [risos]. Este é o Supla.

Shows

Supla e Glen Matlock

Punk Rock
até R$20

O paulistano Supla faz show de seu 15º álbum, Illegal (2018), que foi gravado em português e inglês e tem convidados como Edgard Scandurra e Badauí. Influenciado por new wave, punk, heavy metal e bossa nova, o cantor recebe no palco o ex-baixista da banda inglesa Sex Pistols, que também participa do disco.

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