Descrição de chapéu Artes Cênicas

Ator desaparece, e público segue rastros para juntar pistas de espetáculo

ExCompanhia de Teatro estreia peça 'frequenciaausente.doc', que cria uma espécie de tour no prédio do Sesc Avenida Paulista

Maria Luísa Barsanelli
São Paulo

Leonardo Gritzbur desapareceu. Pouco se sabe sobre o ocorrido, apenas que o ator sumiu misteriosamente depois de descobrir que a plateia de sua peça estava completamente vazia.

Cabe então aos espectadores de “frequencia_ausente.doc”, novo trabalho da ExCompanhia de Teatro, seguir as pistas de seu paradeiro.

O espetáculo é uma espécie de continuação de “Frequência Ausente 19hz”, criado em 2015, em que o grupo trazia proposta semelhante: a partir da crise existencial de um ator, segue-se seus passos. 

Mas nesta primeira montagem o percurso era feito na rua, e a trama se conectava com a história da cidade onde a peça era encenada.

Agora, a ideia é explorar o prédio do Sesc Avenida Paulista —o espetáculo foi criado a partir de um convite da instituição, para levar mais pessoas aos espaços do edifício, já que muitos visitantes vão apenas ao mirante do 17º andar. Por ali, foram distribuídos documentos e registros da passagem de Gritzbur.

O percurso é individual, e logo de início o público recebe o que seria o celular do próprio ator. É com a ajuda dele e com fones de ouvido, nos quais escuta a história, que a plateia faz todo o trajeto.

A ideia, diz Bernardo Galegale, que divide a dramaturgia e a direção com Gustavo Vaz e Gabriel Spinosa, é replicar a última hora de Gritzbur dentro do prédio. “Tentamos criar algumas sensações através das instalações no percurso.”

Nas instalações, estão bilhetes escritos à mão, imagens de câmeras de segurança e livros com pistas. O celular de Gritzbur também compila vídeos, áudios e mensagens de WhatsApp que guiam o público. Em dados momentos, surgem também atores, que passam pelo público como se fossem visitantes do Sesc, mas acabam por dar pistas.

É um trabalho que por vezes parece menos teatro e mais exposição multimídia, mas há uma construção dramatúrgica bastante teatral. “É uma experiência muito digital, porém há uma reflexão da importância do teatro hoje, de como ele é uma arte presencial”, afirma Galegale.

Desde sua formação, há sete anos, a ExCompanhia explora não só as tecnologias multimídia como também a fronteira entre ficção e realidade.

Em “Eu - Negociando Sentidos”, criou uma experiência de um mês com três personagens fictícios (Leonardo Gritzbur entre eles), que conheciam o público por meio de redes sociais. Conversavam virtualmente por dias, até que marcavam um encontro presencial —este com atores no papel de cada personagem. Ao receber os espectadores, pareciam amigos de longa data.

“A gente achou que, quanto mais a gente se aproximasse do real, mesmo com a convenção do teatro, mais você conseguiria se conectar com a obra”, comenta Galegale.

Há dois anos, o grupo lançou “O Enigma Voynich”, um teatro-peça com grafite digital. Nele, o espectador se torna o protagonista, um historiador especialista no manuscrito Voynich (livro misterioso escrito há 600 anos).

frequencia_ausente.doc

  • Quando Qui. a sáb., a partir da 14h. Sessões a cada dez minutos até as 17h (saída da última sessão)
  • Onde Sesc Avenida Paulista, av. Paulista, 119
  • Preço Grátis
  • Classificação 14 anos
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