Descrição de chapéu Artes Cênicas

Diretora Mika Lins prepara primeira encenação de 'Tutankáton'

Montagem da peça de Otavio Frias Filho deve estrear em junho deste ano

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A diretora Mika Lins, que fará a primeira encenação de 'Tutankáton' - Marcus Leoni - 4.out.2017/Folhapress
Nelson de Sá
São Paulo

A diretora e atriz Mika Lins prepara a primeira encenação de "Tutankáton", peça de Otavio Frias Filho (1957-2018), ex-diretor de Redação da Folha.

A montagem deve estrear em junho deste ano, na semana do aniversário de Otavio, nascido no dia 7. Ele morreu em agosto do ano passado, vítima de um câncer originado no pâncreas.

Um de seus sete textos para teatro já publicados, "Tutankáton" permanece inédito. Recebeu uma leitura dramática em 1991, dirigida por Gabriel Villela, com Bete Coelho, Marisa Orth, Mariana Muniz e Ileana Kwasinski.

Foi escrito seis meses após a queda do Muro de Berlim. Busca um paralelo entre o socialismo soviético, derrotado então, e o monoteísmo introduzido no Egito Antigo, numa das primeiras revoluções conhecidas e também derrotada.

"Akenáton, o pai, promoveu uma revolução e Tutankáton, seu filho, é um restaurador, um contrarrevolucionário", resume a diretora, sobre o personagem-título.

"É como agora, quando também estão querendo restaurar. É claro que a peça conversa, inevitavelmente, com a coisa dessas pessoas que querem a volta de algo que muitas delas nem viveram."

A equipe técnica já está trabalhando, reunindo o cenógrafo e figurinista Cássio Brasil, o iluminador Caetano Vilela e o diretor musical Marcelo Pellegrini.

"A ideia é usar um espaço amplo, como nas distâncias longas do deserto, com uma iluminação solar e um cenário projetado na cena, criando sombras", diz Mika.

O elenco, que ainda está sendo selecionado, deverá ser composto inteiramente de intérpretes negros. A diretora diz que pretende seguir com atenção o pedido do autor para "evitar o drama, os estereótipos".

 

Mika chegou a conversar sobre a encenação com Otavio, no ano passado, e relata que se interessa pelo texto desde a primeira edição, de 1991. "Na época, eu gostava da peça por um motivo, pela forma como foi escrita, e agora gosto por outros", diz.

"Ela era neoclássica na escrita, numa crítica ao modernismo. Era estranha, naquele momento. Hoje, eu gosto porque ela é cheia de sutilezas sobre as relações de poder, sobre a guerra."

Além de "Tutankáton", a diretora trabalhou num outro projeto com o dramaturgo, uma versão musical, para crianças, de "A Vida É Sonho", de Calderón de la Barca, que teria canções de Fernanda Takai. Otavio chegou a escrever duas adaptações, em verso, mas acabou desistindo.

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