Descrição de chapéu
Televisão

'The OA' volta ainda mais ambiciosa e esquisita em nova temporada

Enigmas da série são instigantes o suficiente para manter o público querendo mais

Teté Ribeiro

The OA - 2ª Temporada

  • Onde Na Netflix
  • Elenco Brit Marling, Jason Isaacs, Emory Cohen
  • Criadores Brit Marling, Zal Batmanglij

A primeira leva de episódios de "The OA", lançada em 2016, não foi um grande sucesso de público, apesar da crítica ter sido quase toda muito positiva. Lançada logo depois de “Stranger Things” e recomendada pela Netflix para quem tivesse assistido ao último, não provocou a reação que merecia. Mas achou o seu público, telespectadores que se intrigaram com as ideias malucas dos criadores Brit Marling, também a protagonista da história, e Zal Batmanglij.

Passados três anos, a série volta com oito novos capítulos de mais ou menos uma hora, e ainda mais esquisitices. Vale a pena relembrar rapidamente o plot original (o melhor mesmo é rever a primeira temporada, ou pelo menos os dois últimos episódios).

The OA”, parte 1, segue Prairie Johnson (Brit Marling), a filha de um aristocrata russo que se muda para os Estados Unidos depois de morrer e voltar para a vida em um acidente. Fica cega e é adotada por um casal americano. Adolescente, é raptada por um cientista chamado Hap (Jason Isaacs) e mantida em um laboratório submerso durante sete anos, junto com outros que, como ela, voltaram da morte. Eles ficam em pequenas celas de vidro e são torturados por anos, até que criam um ritual que a transporta para outra dimensão.

Na nova versão de sua vida, Prairie conta sua história para um grupo de adolescentes e uma mulher mais velha, na tentativa de refazer o rito e libertar os outros. 

É, complexo. Ah, e ela é um anjo, daí seu apelido, OA, “Original Angel”, anjo original. 

O último episódio não deixa claro se a cerimônia deu resultado nem se ela sobreviveu a um tiro no peito.

A segunda temporada revela de cara que sim, o culto deu certo. OA não morreu, vive agora em outro lugar e tem outra biografia. Conhecida por seu nome de batismo, Nina Azarova, nunca foi cega e é muito rica.

Mas logo se vê capturada de novo por Hap, que também se transportou para essa cidade e se tornou um psicólogo de sucesso. Tem uma clínica de reabilitação onde estão todos os seus ex-prisioneiros, alguns com memória, outros não. Homer (Emory Cohen), o namorado de Prairie na prisão inicial, não só não se lembra dela como agora trabalha de assistente do dr. Hunter Percy, novo nome de Hap.

E tem um outro suspense rolando, o desaparecimento de uma adolescente chamada Michelle Vu, que ganhou 30 mil dólares em um jogo de celular. A avó da menina contrata um detetive particular, Karim (Kingsley Ben-Adir), personagem que fica cada vez mais importante conforme as tramas se desenvolvem. Boa notícia, porque tanto o papel quanto o intérprete são muito bons. 

Os garotos que ajudaram Prairie a se transportar também foram parar em outra realidade e ganharam novas narrativas. Eles se juntam de novo quando Buck (Ian Alexander) começa a receber mensagens da mulher mais velha do grupo, BBA (Phyllis Smith).

Os criadores desse programa parecem testar o público: “Estão mesmo prestando atenção? Então vamos complicar mais um pouco”. Com cenas lindas, mas feitas sem pressa, os personagens passam minutos se deslocando de um lugar para outro. O ritmo aqui não é frenético, não é por isso que fica enigmático. Mas os enigmas são instigantes o suficiente para manter o público querendo mais.
 

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