Descrição de chapéu

'Game of Thrones' termina de maneira melancólica, porém satisfatória

Último episódio teve uma morte de impacto e duas mensagens importantes

Tony Goes

Bem que D. B. Weiss e David Benioff avisaram. Os showrunners de “Game of Thrones” disseram que a série acabaria de maneira agridoce, e assim foi. Também se conformaram de que, não importa o que acontecesse, seria impossível agradar a todos os milhões de fãs. É o que está acontecendo.

Depois de oito anos no ar, milhares de mortes, reviravoltas inacreditáveis e muita discussão nas redes sociais, o programa de maior impacto da década chegou ao fim. Não foi um desfecho épico, pelo contrário. Foi melancólico, por vezes lento demais. Todos os sobreviventes pareciam exaustos de tantas batalhas. O espectador também.

Apenas um personagem importante morreu nesse capítulo, e aqui começam os spoilers. Foi uma morte tristíssima, que poupou o público de ver a espada entrando na carne da vítima. Só vimos sua expressão de surpresa e, em seguida, o sangue escorrendo de seu nariz e sua boca.


Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) pereceu nas mãos de Jon Snow (Kit Harington), que sacrificou sua amada pelo bem da humanidade. Enlouquecida e sedenta de poder absoluto, a Mãe dos Dragões queria estender suas conquistas para o mundo inteiro. Jon precisou superar uma indecisão hamletiana para entender o que precisava fazer.

E assim, ele meio que cumpriu a profecia que o apontava como a reencarnação do herói mítico Azor Ahai, que teve que matar sua esposa Nissa Nissa para que sua espada se tornasse invencível. Só que essa parte da lenda não se cumpriu. Preso e condenado à morte pelos Imaculados, Jon Snow acabou sendo exilado no extremo norte de Westeros. Sua única compensação foi o reencontro com o lobo Fantasma, para deleite dos fãs.

Então, quem ficou no Trono de Ferro? Ora essa, não há mais Trono de Ferro. O dragão Drogon o derreteu quando viu Daenerys morta, talvez para compensar o fato de não poder incinerar Jon Snow, tão Targaryen quanto ela. 

O que não significa que acabou a monarquia. Uma das boas cenas deste episódio foi o conselho de notáveis, reunindo representantes de todas as grandes casas nobres de Westeros, que apontou o novo líder dos Sete Reinos.

Tyrion Lannister (Peter Dinklage), também recém-libertado da prisão depois de ser acusado de traição por Daenerys, foi quem sugeriu o nome de Bran Stark (isaac Hempstead-Wright). O Corvo de Três Olhos acabou aceitando depois de alguma relutância, e apontou o anão como sua Mão –deve ser a terceira ou quarta vez que o último dos Lannister trabalha como primeiro-ministro de um monarca.

A internet vai discutir pelos próximos meses se esta foi uma escolha acertada, coerente com o caráter dos personagens e de acordo com os desígnios de George R. R. Martin, o autor dos livros que deram origem à série. 

Mas o próprio Bran demonstrou que não será um rei muito proativo: em uma sequência que surpreendeu pela banalidade, vimos como ele delega quase todas as decisões para Tyrion, que é quem cuidará de fato do dia-a-dia do novo governo.

As irmãs Stark tiveram finais felizes. Sansa (Sophie Turner) foi coroada Rainha do Norte, depois de comunicar ao irmão que seu reino será independente. E Arya (Maisie Williams) tomou um barco rumo ao desconhecido –foi descobrir a América, ou seja lá como que se chama o continente a oeste de Westeros.

O mais interessante, no entanto, veio antes. Tyrion sugeriu Bran para o trono por uma razão inusitada: o rapaz aleijado é quem tem a melhor história. Ele não só funciona como uma espécie de memória coletiva, conhecendo os detalhes do passado e do futuro, como tem uma trajetória pessoal que consagrou a sabedoria como superior à força bruta.

E, assim, os produtores e roteiristas de “Game of Thrones” encerram os trabalhos com duas mensagens. Uma delas é de esperança: em um universo onde salvadores da pátria e dragões que querem destruir tudo que está aí, tão parecido com o nosso, o conhecimento acabou saindo vencedor. 

A outra é uma constatação: nada é mais poderoso do que o “storytelling”. Uma boa história não pode ser derrotada, como disse o próprio Tyrion. E “Game of Thrones” foi uma boa história, por mais que não gostemos deste ou daquele detalhe. Merece ser revista com atenção, e ainda vai render assunto por muito tempo. ​

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.