Descrição de chapéu

Série mostra como sociedade dá mais valor ao pênis que à vida da mulher

Grande trunfo de 'Lorena' é jogar luz sobre os abusos que mulher sofria antes de cortar órgão de marido

Úrsula Passos
São Paulo

Num mundo em que a violência contra mulheres perpetrada por companheiros acontece todo o tempo, aparece como excepcional o caso de Lorena Bobbit, que arrancou fora o pênis do marido. 

Talvez a explicação para isso esteja na frase que um cunhado de Lorena diz em um programa de auditório: ela fez algo pior do que matá-lo, tirou dele a coisa que mais importa para um homem.

Ao longo da série documental “Lorena”, vemos depoimentos que deixam claro que, como diz a música, este é um mundo de homens, no qual um órgão sexual masculino parece valer mais que a vida de uma mulher. 

Vivemos numa sociedade que se esquece facilmente do nome de Elton Jones Luz de Freitas que, em 2015, no Rio Grande do Sul, decepou, usando um facão, as duas mãos da ex-namorada, mas que lembra de Lorena.

Isso porque reagir a anos de abusos e violência decepando um pênis é extraordinário, e mete medo. Como diz a atriz Whoopi Goldberg num trecho da série: após o caso os homens experimentaram medo semelhante ao que as mulheres sentem todos os dias.  

Lorena passou ao imaginário popular como louca, e o grande trunfo da série é jogar luz sobre a parte menos comentada dessa história: os abusos que Lorena sofria. Ironicamente, o nome do marido é John Wayne, o mesmo de ator símbolo de virilidade.

Lorena
Disponível na Amazon Prime Video

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