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Charlize Theron e Seth Rogen vivem paixão fora da curva em 'Casal Improvável'

Atores falam sobre a comédia em que interpretam um jornalista nerd e a secretária de Estado dos EUA

Rodrigo Salem
Los Angeles

Como o título adianta, a comédia romântica "Casal Improvável", que chega agora aos cinemas, reúne pela primeira vez duas figuras poderosas de Hollywood, mas quase opostas em seus gêneros. A atriz e produtora Charlize Theron protagoniza filmes milionários de ação e aposta em suspenses sombrios. Já o ator, roteirista e diretor Seth Rogen é conhecido por sátiras absurdas.

O encontro inusitado se dá quando Theron topa viver a secretária de Estado americana, que contrata o jornalista e ativista interpretado por Rogen para ajudar na disputa pela Presidência no filme de Jonathan Levine ("50%").

"Nos esbarramos ao longo dos anos, mas nunca nos sentamos para conversar por muito tempo até discutirmos sobre o filme", conta o comediante. "Foram alguns encontros esquisitos", completa Theron. "Mas minha história preferida é quando você fala que nos conhecemos andando do lado de fora da casa de Jared Leto."

Theron não é uma novata em comédia. Em 2005, apesar de já ter um Oscar por "Monster: Desejo Assassino" (2003), ela ainda batalhava para ser reconhecida como atriz versátil e trabalhou na série cult "Arrested Development".

"Vim para o cinema como uma modelo tentando ser atriz, e isso era visto como algo negativo. Não havia interesse na minha capacidade, apenas no único papel que eu aparentemente poderia fazer", afirma. "Havia uma voz dentro de mim falando para não aceitar certos tipos de papéis, porque me deixavam infeliz. Alguns me falaram que eu nunca mais iria trabalhar. Mas bati o pé. É uma luta para as mulheres mostrarem que não devem ser julgadas pela aparência."

Rogen não teve esse tipo de problema, mas sabia que seu visual fora dos padrões tradicionais de galã hollywoodiano não abriria caminhos na indústria cinematográfica.

E essa é a premissa de "Casal Improvável", já que o personagem do canadense é apaixonado pela secretária de Estado desde quando ela era sua babá. "Aprendi desde cedo que, se quisesse fazer algo diferente, precisaria fazer eu mesmo e não esperar pelo convite de outros. Estou feliz por ter sido capaz de produzir tanto nesses anos, mesmo enfurecendo algumas pessoas", diverte-se o criador de longas como "É o Fim" (2013) e "A Entrevista" (2014).

O roteiro do filme já circulava desde 2011, bem antes de Hillary Clinton, inspiração clara para a Charlotte Field de Theron, deixar a Secretaria de Estado do governo Obama e se candidatar à Presidência dos Estados Unidos, em 2016.

"As linhas gerais são as mesmas e minha personagem sempre foi uma secretária de Estado americana. Como o roteiro foi escrito durante outra época, precisamos mudar alguns detalhes. Acrescentamos mais conflitos na relação para ficar mais divertida", afirma a atriz.

Os dois admitem que a derrota da democrata possibilitou o sinal verde do filme, já que a personagem deseja ser a primeira presidente mulher do país. Mas eles falam que a vitória de Donald Trump deixou a produção de lado.

"Isso não passou nem perto da minha cabeça. Nem eu sou tão mau assim", diz Rogen. "Precisaríamos ser duas pessoas terríveis", brinca Theron, acionando a risada rouca conhecida do parceiro de tela.

Mas a própria atriz já viveu vilãs em Hollywood neste caminho para escapar de qualquer rótulo que tentam lhe impor. Há dois anos, surpreendeu ao assumir o papel em "Velozes & Furiosos 8". "Construí uma carreira vivendo mulheres em conflito que nem sempre faziam a coisa certa. É um alívio interpretar alguém mais normal, que pensa como uma mulher de verdade. Meu maior desafio foi torná-la verossímil", conta.

O comediante, por sua vez, interpreta um jornalista que não consegue domar as próprias ideologias na hora de combater grandes organizações e políticos corruptos.

"Aprendi que seria um péssimo jornalista", gargalha o ator. "É um trabalho difícil. É interessante, porque uma das coisas de que mais gosto no filme é o fato de o meu personagem perceber aos poucos que não é um bom jornalista até que decide parar. Não sou objetivo o suficiente para ser jornalista. Não conseguiria controlar minhas emoções e me sabotaria na função."

O ponto final para o encontro da dupla foi a maconha. Rogen, conhecido usuário e dono de uma empresa de cânabis no Canadá, a Houseplant, foi procurado por Theron quando ela decidiu voltar a fumar para espairecer.

"Queria o conhecimento de Seth e estava com dificuldades para encontrar a variedade certa de maconha", explica a atriz. "Sempre posso ajudar", rebate o comediante. "Uso para dormir, mas queria poder fumar como você, durante o dia, e não apenas para dormir e comer", conta ela. "Sim, sou totalmente funcional. Fumo maconha praticamente todos os dias há 20 anos e isso acrescentou muito à minha vida."

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