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Cinema

Argentina pré-golpe militar é pano de fundo de 'Vermelho Sol'

A fotografia é do brasileiro Pedro Sotero, parceiro de Kleber Mendonça Filho em 'O Som ao Redor', 'Aquarius' e 'Bacurau'

Ivan Finotti

Vermelho Sol

  • Quando Estreia nesta quinta (8)
  • Elenco Darío Grandinetti, Andrea Frigerio, Alfredo Castro
  • Produção Argentina/Brasil, 2018
  • Direção Benjamín Naishtat

Passado na Argentina em meados dos anos 1970, “Vermelho Sol” traz como pano de fundo a pré-ditadura no país e tem como trama principal a investigação e a morte de um desaparecido político. O legal desse filme é que nada se desenrola tão simplesmente como esse argumento poderia indicar.

Dirigido por um argentino e com elenco argentino e chileno, a produção já acumula prêmios em festivais.

A fotografia é do brasileiro Pedro Sotero, parceiro de Kleber Mendonça Filho na trilogia “O Som ao Redor”, “Aquarius” e “Bacurau”.

Sem explicar nada, o filme começa com a cena estática da porta de uma casa, por onde saem diversas pessoas carregando móveis e badulaques domésticos. Só vamos entender do que se trata isso uma hora depois.

A cena seguinte é igualmente estranha: uma discussão em um restaurante de uma pequena cidade do interior argentino. O diálogo é bizarro, assim como serão vários outros no decorrer do filme.

Acumulando histórias que aparentemente não tem relação entre si, Naishtat vai amarrando tudo aos poucos. Personagens, alguns sombrios, outros divertidos, entram e saem da trama sem muitas delongas.

O protagonista é um advogado, interpretado por Darío Grandinetti, que vai levando a vida tranquilamente na cidadezinha, às vezes se envolvendo em negócios ilícitos, noutras tentando ser uma pessoa melhor.

A chegada de um investigador famoso por seu programa na televisão, vivido por Alfredo Castro (o personagem-título do excelente “Tony Manero”, de 2008), vai acelerar a conclusão das pontas soltas. Mas não de todas: o desaparecimento de um rapaz, por exemplo, é solenemente ignorado na conclusão do roteiro.

No mais, o estado de ânimo dos argentinos às vésperas do golpe de 1976 paira como uma longa nuvem negra sobre “Vermelho Sol”, filme que só é ensolarado porque a cidadezinha se encontra à beira de um deserto.

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