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Indie Festival tem edição em São Paulo adiada por falta de patrocínio

Organizadores afirmam que Sesc havia dado sinal verde para programação há um mês

Clara Balbi
São Paulo

Realizado há 12 anos no Cinesesc, o Indie Festival adiou indefinidamente sua edição em São Paulo este ano, marcada para 18 a 25 de setembro. O evento é conhecido por trazer obras de diretores independentes que costumam ficar de fora do circuito comercial, como o tailandês Apichatpong Weerasethakul e o filipino Lav Diaz.

O motivo do adiamento, segundo o Sesc, é a requisição de outros patrocinadores para o evento além deles próprios. Em nota, a instituição afirma que "aguarda confiante que os representantes do festival consigam a adesão de outros parceiros para a sua realização".

Uma das organizadoras do evento, Francesca Azzi, afirma, no entanto, que o Indie havia ganhado sinal verde para a sua versão paulistana no início do mês de julho, e que a notificação da necessidade de um novo patrocinador aconteceu apenas no dia 1º de agosto, quando a programação estava “praticamente fechada”, com cerca de 15 filmes.

Entre eles, estariam dois filmes que estreiam no Festival de Locarno, na Suíça, este mês: “Vitalina Varela”, do português Pedro Costa, e "A Girl Missing" (uma garota desaparecida), do japonês Koji Fukada.

Azzi esclarece que não houve nenhum rompimento contratual por parte do Sesc, uma vez que os documentos relacionados ao evento só costumavam ser assinados mais tarde.

Pessoas formam fila no Cinesesc, em São Paulo, para assistir aos filmes do Indie Festival 2018
Pessoas formam fila no Cinesesc, em São Paulo, para assistir aos filmes do Indie Festival 2018 - Reprodução/Facebook/Indie Festival - 29.set.2018

Baseados em Belo Horizonte, em Minas Gerais, os organizadores do Indie dizem não saber o futuro da próxima edição paulistana. Além do desafio de conseguir patrocínio em cima da hora, acentuada com a distância em relação a São Paulo, outra dificuldade é estabelecer uma nova data para o festival.

Afinal, explica Azzi, na segunda metade de outubro já acontece a Mostra de Cinema de São Paulo. Em novembro, caso repita a estratégia do ano passado, será a vez do Festival do Rio. Os dois eventos concorrem pelo título de maior festival de cinema do país.

“Se o Festival do Rio está com dificuldades para encontrar patrocínio, imagina o Indie?”, questiona a produtora. “Para os pequenos, é ainda mais complicado.”

Também na capital mineira, onde o festival nasceu há quase 20 anos, Azzi diz que a produção está penando para achar empresas dispostas a patrocinar o evento. Mas, como ele foi aprovado em editais municipais e estaduais, a edição de 2019 já está garantida.

Lá, pelas contas de Azzi, o Indie já chegou a exibir 150 filmes, em sete salas espalhadas pela cidade —em São Paulo, o máximo de títulos da programação foi 60. Em ambas as capitais, a programação foi minguando ano a ano, com a saída de apoiadores e patrocinadores.

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