Chefe de fiscalização na Bienal do Rio diz que só encontrou 'muitos livros'

Após duas horas na feira, equipe diz não ter encontrado conteúdo pornográfico indicado para menores de idade

Bruno Molinero
Rio de Janeiro

Durou cerca duas horas a visita da equipe da prefeitura do Rio de Janeiro à Bienal do Livro na cidade.

Nesta sexta (6), fiscais e o subsecretário de operações da Secretaria Municipal de Ordem Pública, o coronel Wolney Dias, que é ex-comandante da Polícia Militar, circularam entre crianças e adolescentes presentes ao evento para procurar livros infantojuvenis que supostamente têm conteúdo pornográfico.

agente do estado
Subsecretário de operações da Secretaria Municipal de Ordem Pública, o coronel Wolney Dias, que é ex-comandante da Polícia Militar, na Bienal do Rio - Bruno Molinero/Folhapress

O caso acontece depois de o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, anunciar em seu Twitter na noite de quinta (5) que censuraria a HQ "Vingadores - A Cruzada das Crianças". A história em quadrinho traz dois homens se beijando --o que Crivella considera pornografia e, portanto, atentaria contra o Estatuto da Criança e do Adolescente. 

 

Segundo Dias, o objetivo da visita era verificar a denúncia de que livros impróprios para menores de idade estão sendo vendidos na Bienal.

"Não é censura. Estamos cumprindo uma recomendação da Procuradoria Geral do Município", disse Dias a jornalistas quando chegou aos pavilhões do Rio Centro, onde a Bienal acontece até domingo (8).

O subsecretário estava acompanhado de um fotógrafo, um cinegrafista e assessores de imprensa. Ele visitou os estandes da livraria Comix e da editora Panini, onde folheou alguns títulos enquanto era registrado em imagens por sua equipe. Outros fiscais estiveram em estandes de editoras tradicionais do mercado, caso da Record e da Companhia das Letras.

 

Às 14h15, quando a visita foi oficialmente encerrada, Dias foi questionado se havia encontrado algo na Bienal. “Muitos livros”, respondeu.

Segundo a prefeitura, não foi achado nenhum livro pornográfico indicado para menores de idade. Também não há nenhuma nova visita programada ao evento.

Mesmo assim, a organização da Bienal do Livro entrou com um pedido de mandado de segurança preventivo no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro na tarde desta sexta. O pedido é para garantir o funcionamento do evento e o direito dos expositores de comercializar obras literárias sem qualquer recolhimento. 
O jornalista viajou a convite da Bienal do Rio.

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