Floriano mandou degolar os inimigos para consolidar a república no Brasil

Segundo presidente da história do país, Marechal de Ferro é tema do 3° volume da Coleção Folha

Naief Haddad
São Paulo

O escritor e jornalista Euclides da Cunha descreveu Floriano Peixoto como “esquivo, indiferente e impassível”. O historiador Oliveira Viana falou do oficial, que comandou o país de 1891 a 1894, 
como um homem de “temperamento apático e frio”. 

Logo se vê que o carisma não estava entre as qualidades do segundo presidente da história do país. Ele sucedeu Deodoro da Fonseca, também um militar alagoano. 

Apesar do estilo austero, Floriano obteve razoável popularidade. Pela primeira vez na história da República, surgia um “ismo” para definir um movimento expressivo em torno de um presidente —no caso, o florianismo. 

A trajetória e as decisões de Floriano são tema do terceiro volume da Coleção Folha - A República Brasileira. O livro chega às bancas no próximo domingo (29). 

Influenciado pelos militares positivistas, especialmente Benjamin Constant, ele acreditava que o país poderia ser guiado por meio de uma “ditadura republicana”, como escreve o historiador Pietro Sant’Anna, autor do livro. 

“Floriano foi mais autoritário do que Deodoro. Agiu diversas vezes de modo implacável, mandou matar muita gente”, afirma Sant’Anna.

Ao longo da Revolução Federalista, que contrapôs republicanos e federalistas 
no sul do país, mais de 10 mil pessoas morreram. Muitos combatentes, já rendidos, foram degolados pelas tropas do governo federal.

Para Floriano, a violência era necessária para a consolidação da república no Brasil. Quando ele entregou a presidência ao sucessor, o civil Prudente de Moraes, a resistência dos monarquistas estava enfraquecida.

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