Mostra comemora o centenário de Lygia Clark com 63 réplicas

Exposição realizada no Rio de Janeiro tem 63 peças que tiram o visitante da passividade

'O Mundo', de Lygia Clark
 
Ivan Finotti
São Paulo

“Respire Comigo” é o nome da mostra que explora a vida de uma das maiores artistas brasileiras, Lygia Clark (1920-1988).

Célebre pela transformação que sua arte sofreu, Lygia começou na pintura e se transformou em uma escultora e criadora de objetos que devem ser manipulados pelo público.

Derrubava a ideia de um museu estanque, onde o público apenas vê o que o artista criou. A exposição segue esse pensamento à risca e apresenta 63 trabalhos com os quais os visitantes podem efetivamente se relacionar.

“Por isso, todas as peças são réplicas. Mas são réplicas perfeitas”, conta Carolyna Aguiar, que idealizou a mostra com Ale Clark, neta da artista. A curadoria é de Felipe Scovino.

Um saco de batata para se colocar na cabeça, criação de Lygia quando deu aulas de arte em Paris, nos anos 1970, foi caçado por Ale Clark nos mínimos detalhes. “Ela foi atrás do saco usado na França naquela época”, conta Aguiar.

A exibição parte do momento em que ela se aproximar do neoconcretismo, que permitia mais experimentações. A primeira é a série “Os Bichos” (1960), com obras constituídas de placas de metal unidas por dobradiças que podem tomar inúmeras formas, de acordo com a manipulação —12 são reproduzidas no Rio.

“Vamos apresentar toda a parte móvel, interativa, que foi revolucionária, tendo o homem como suporte da própria obra”, diz Aguiar. Ao lado de cada trabalho estão páginas dos diários de Lygia que  pensam sua criação. A artista escreveu que gostaria de pegar cada parte daqueles cadernos e ligar “cada sonho à obra”.

Os diários também geraram um monólogo, que tenta responder à pergunta de por que Lygia traçou seu caminho na direção de usar o corpo do outro em suas obras. Com direção da Bel Kutner e interpretação de Carolyna Aguiar, trata de temas sobre arte, vida, morte, amor e feminismo.

O local escolhido é o ateliê do artista Oskar Metsavaht, que no ano passado recebeu a primeira mostra de Helio Oiticica. “Não é um local de exposição inerte nem um espaço para venda de obras. É de estudo da arte, o que tem tudo a ver com o pensamento de Lygia”, completa Aguiar.

A mostra foi parte do ArtRio, que terminou domingo (22). Também é o marco inicial das comemorações do centenário de Clark, que vão de 23 de outubro de 2019 até a mesma data do ano que vem. A data vai ganhar um selo comemorativo e é gancho para algumas individuais dela pelo mundo: no Guggenheim Bilbao, em março, no Arco Lisboa, em maio, e no Peggy Guggenheim Collection de Veneza, em julho.

Respire Comigo – Lygia Clark

  • Quando Qua. a sex.: 14h às 19h; sáb. e dom.: 11h às 18h. Até 27/10.
  • Onde Studio OM.art - R. Jardim Botânico, 997, Rio de Janeiro.
  • Preço Grátis
  • Classificação 14 anos.
Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.