Descrição de chapéu Rock in Rio

Black Eyed Peas canta com Anitta e desce de tirolesa no Rock in Rio

Com participação da cantora brasileira, trio fez show recheado de hits dos anos 2000

Lucas Brêda
Rio de Janeiro

O Black Eyed Peas fez o show que o público queria neste sábado (5) de Rock in Rio. Sem espaço para enrolação, o grupo descartou a fase atual e resgatou seu pop embebido em auto-tune, hip-hop e EDM dos anos 2000 para uma plateia que só queria saber de dançar.

O show teve até participação de Anitta, que também havia cantando no palco principal do festival horas antes. A brasileira encantou, de top e calça amarelos, fazendo os agudos do hit "Don't Lie", já no fim da apresentação.

Will.i.am descendo de tirolesa durante show do Black Eyed Peas no Rock in Rio
Will.i.am descendo de tirolesa durante show do Black Eyed Peas no Rock in Rio - Adriano Vizoni/Folhapress

Ela também cantou "eXplosion", reggaeton do Black Eyed Peas com os vocais de Anitta. Até por ter sido lançada nesta semana, a música não empolgou, ainda que a presença da cantora tenha sido suficiente para satisfazer a plateia.

Neste Rock in Rio, o Black Eyed Peas vive uma situação curiosa. Na última edição do festival, em 2017, a ex-vocalista Fergie tocou um repertório parecido com o do grupo neste sábado.

O show dos integrantes remanescentes, contudo, foi ainda mais apelativo do que o da estrela pop. Em cima do palco, o trio foi imparável, correndo de um lado ao outro e pedindo a participação dos fãs a todo o momento –apesar do calor no Rio de Janeiro.

Logo na abertura, "Let's Get it Started", o líder do grupo, Will.i.am., já estava cantando enquanto descia a tirolesa que passa em frente ao palco. Depois de "Imma Be" e "Rock That Body", o público já estava ensandecido.

Os hits dos anos 2000 deram o tom da festa. Músicas como "Boom Boom Pow" e "Pump It" continuam tão pegajosas quanto quando saíram, em 2009 e 2005, no auge do Black Eyed Peas.

Em "Just Can't Get Enough", Apl.De.Ap amarrou uma bandeira do Brasil à cabeça. Em "Mi Gente", parceria com o colombiano J Balvin, Taboo saudou os fãs latinos que vieram ao Rock in Rio e dançou break no centro do palco.

Sem Fergie, o Black Eyed Peas passa por um momento de resgate das raízes no hip-hop nova-iorquino, onde o grupo foi criado em 1995. Eles lançaram um disco de inéditas no ano passado, "Masters of the Sun, Volume 1", mas não tocaram nenhuma faixa do trabalho.

A única nova foi o single "Mami", que saiu este ano. O reggaeton acústico soou morno, mesmo com a presença do grupo colombiano Piso 21 no palco.

O show também jogou luz sobre a influência do Black Eyed Peas na dance music atual. As misturas de EDM com hip-hop que dominaram o pop americano da última década até hoje influenciam DJs —como o brasileiro Alok, que tocou no primeiro fim de semana de Rock in Rio.

Além de produtor renomado, com gente do cacife de Justin Timberlake e Mariah Carey no currículo, Will.i.am. é um mestre do auto-tune. Ao vivo, ele usa sem nenhum pudor a ferramenta de manipulação de voz.

Em dia de pop, com shows de Anitta e P!nk, o Black Eyed Peas foi o mais dançante que pôde. Em vez de resgatar músicas menos conhecidas, o grupo tocou apenas hits e teve até um set de DJ de Will.i.am. no meio da apresentação.

Na reta final, o líder do Black Eyed Peas dedicou a balada "Where Is the Love?" às "pessoas nas florestas tropicais", disse que ama o Brasil, Jorge Ben Jor e o nosso funk. Logo depois, o público puxou um coro tímido de xingamentos ao presidente Jair Bolsonaro.

A apresentação acabou com "I Gotta Feeling", hit de 2009 ao qual ninguém no festival passou imune. Foi um encerramento afirmativo, com a música mais contagiante do show mais contagiante que o Black Eyed Peas foi capaz de fazer.

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