Ginger Baker, baterista da banda Cream, de Eric Clapton, morre aos 80 anos

Junto a Eric Clapton e Jack Bruce, Baker redefiniu o rock

Naná DeLuca
São Paulo

Ginger Baker, um dos bateristas mais notórios de sua geração, morreu aos 80 anos na manhã deste domingo (6). O anúncio foi feito por sua família, que não divulgou a causa. Ele estava internado em estado grave havia algumas semanas. 

Em 1966, Baker conheceu Eric Clapton e, junto ao baixista Jack Bruce, formaram a banda Cream, que mesclava blues, rock psicodélico e hard rock. Os três eram reconhecidamente talentosos e já faziam sucesso em carreiras solo e outras bandas. Por isso, o Cream é considerado a primeira "superbanda" da música. 

Ginger Baker toca bateria. Ele usa óculos e uma camiseta do Cream, seus cabelos são brancos.
Ginger baker da lendária banda de rock, Cream, durante apresentação no Royal Albert Halle, em Londres, maio de 2005. - REUTERS

​Baker foi um dos melhores instrumentistas de seu tempo. Sua forma de tocar equilibrava intensidade e precisão técnica. Uma de suas grandes inovações foi introduzir o uso do bumbo duplo e instrumentos variados de percussão, extrapolando as convenções para bateristas de rock. 

Inspirado por bateristas de jazz como Louie Bellson e Elvin Jones, Baker tocava com um estilo "extrovertido, primitivo, inventivo", como descreveu Neil Peart, da banda Rush. 

Para Peart, foi Baker quem definiu os parâmetros para todos os bateristas que o seguiram e expandiu os horizontes do instrumento. 

Sua energia quando tocava, com os cabelos cor de fogo e movimentos rápidos, fizeram Baker se destacar. Assim como seu temperamento, apontado por Eric Clapton como um dos motivos para o fim do Cream, em novembro de 1968.

Na década de 1970, após o fim do trio, Baker mudou-se para Lagos, na Nigéria, para estudar novas técnicas de percussão. Lá, conheceu o pioneiro do afrobeat,  Fela Kuti, com quem lançou um álbum.

Sua carreira, que de fato começou com solos de jazz, nunca perdeu o gênero de vista. "Eu sou um baterista de jazz", declarou Baker ao jornal The Telegraph, em 2003. Baker levou essa influência para todos os seus trabalhos. 

A família do baixista Jack Bruce, morto em 2014, publicou no perfil oficial do músico no Twitter que Baker "era como um irmão mais velho".

A rivalidade entre eles na época do Cream foi acentuada. Clapton chegou a relatar que uma vez, durante um show, parou de tocar sua guitarra, o que nem Baker nem Bruce perceberam, pois competiam pela atenção. Foi nesse momento que constataram que a banda chegaria ao fim.

Em sua homenagem, a família do baixista lembrou que a química entre eles era espetacular e "sobreviveu a sua relação de amor e ódio". "Descanse em paz, Ginger, um dos maiores bateristas de todos os tempos.", diz a mensagem.

 
Erramos: o texto foi alterado

Diferente do que foi informado na reportagem, a mensagem não foi publicada pelo baixista Jack Bruce, morto em 2014. O perfil no Twitter é atualizado pela família e pela equipe do músico, de acordo com informação na própria página.

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