Bolsonaro critica o 'tal de Iphan' em evento da bancada evangélica

Há meses há um troca-troca de superintendentes do órgão

Brasília

O Iphan, autarquia federal que zela pela preservação de bens culturais, entrou na mira de Jair Bolsonaro. 

"Ali na cultura tem um tal de Iphan", disse o presidente em evento promovido nesta quarta-feira (18) pela bancada evangélica, em Brasília. 

O órgão "tem o poder de embargar obras em qualquer lugar do Brasil", continuou Bolsonaro. "Embargar pra quê? Embargar pra quê?"

Nesse momento, a plateia, formada por parlamentares e lideranças evangélicas, vibrou.

'Ali na cultura tem um tal de Iphan', disse o presidente em evento promovido nesta quarta-feira (18) - Marcos Corrêa/Divulgação/PR

Criado em 1937 por Getúlio Vargas e hoje vinculado à Secretaria de Cultura, que por sua vez responde ao Ministério do Turismo, o órgão vem sendo esvaziado pelo atual governo. Há meses há um troca-troca de superintendentes do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) por gente de sua base aliada sem quilometragem na área.

A última peça tombada nesse dominó foi Kátia Bogéa, que dirigia o Iphan desde 2016. Ela foi exonerada no último dia 11 e substituída pela arquiteta Luciana Rocha Féres.

A nomeação, contudo, foi suspensa logo depois, o que expõe uma richa entre o ministro Marcelo Álvaro Antonio (Turismo) e o secretário da Cultura, Roberto Alvim.

Féres, que já comandou o mineiro Conjunto Moderno de Pampulha, tem respaldo no setor, ao contrário de outras indicações polêmicas feitas por Alvim —como a de Sérgio Camargo, um "negro de direita" que vê um lado bom na escravidão ("foi benéfica para seus descendentes) e se declara "contrário ao vitimismo e ao politicamente correto”, para a presidência da Fundação Palmares. 

Alvim preferia ter à frente do Iphan Olav Schrader, formado em relações internacionais e ligado à Associação de Moradores de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Há menções a seu nome em eventos pró-monarquia no país.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.