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Fernando Collor criticou Sarney, mas acabou repetindo erros do antecessor

Carioca radicado em Alagoas é tema do 23º volume da Coleção Folha - A República Brasileira

São Paulo

Candidato à Presidência, o carioca radicado em Alagoas Fernando Collor de Mello fez críticas duras ao então mandatário, José Sarney, que registrava baixíssimos índices de popularidade.

Essa artilharia verbal ajudou o político do até então inexpressivo PRN (Partido da Reconstrução Nacional) a crescer nas pesquisas eleitorais e avançar para o segundo turno do pleito, em dezembro de 1989, quando venceu Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Depois da vitória, a equipe de Collor anunciou que pretendia criar a operação “pega ladrão” para investigar as irregularidades cometidas durante a gestão de Sarney. O novo governo, contudo, teve semelhanças expressivas com a gestão anterior, tanto na política quanto na economia.

Collor é tema do 23º volume da Coleção Folha - A República Brasileira. O “caçador de marajás”, como ele gostava de ser chamado, é tema do livro que chega às bancas no próximo domingo, dia 16.

Em fevereiro de 1986, Sarney lançou o Cruzado, plano de combate à inflação. Teve forte impacto inicial, mas degringolou em poucos meses. Quando o Cruzado 2 foi implantado, a economia brasileira já estava sem rumo.

Em março de 1990, veio o Plano Collor, outro pacote com o objetivo de derrubar a inflação. Houve aumento de tarifas e congelamento de preços e salários. Nada causou mais alarde, no entanto, do que o bloqueio de ativos financeiros, que retirou fatia expressiva do dinheiro em circulação.

Não demorou para que a inflação voltasse a subir em meio a uma nova recessão. O lançamento do Plano Collor 2 deixou ainda mais nítido o fracasso da política econômica.

Sarney colecionou escândalos de corrupção. Muitas irregularidades que vieram a público estavam ligadas a negociação de concessões de emissoras de rádio e TV com congressistas. Embora fossem outros métodos, o desrespeito ao bem público persistiu no governo seguinte.

“Com a anuência de Collor, Paulo César Farias [ex-tesoureiro da campanha] extorquia dinheiro dos empresários que tinham negócios com o governo”, escreve o autor, Fernando Figueiredo Mello, ao lembrar a denúncia de Pedro Collor contra o irmão presidente.

Semelhantes ao conduzir planos econômicos incapazes de vencer a inflação e ao demonstrar descaso com dinheiro público, Sarney e Collor tiveram destinos diferentes na Presidência. 

Apesar de muito criticado, o primeiro conseguiu concluir o mandato; já o segundo renunciou durante um processo de impeachment.

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