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Habilidade política de Itamar Franco contribuiu para sucesso do Plano Real

Político mineiro foi alçado à Presidência após processo de impeachment de Collor

São Paulo

Itamar Franco foi um mineiro que nasceu no mar. Sua mãe, Itália América, deu à luz em 28 de junho de 1930 dentro de uma embarcação no litoral da Bahia, a caminho do Rio de Janeiro. Ele passou a infância, a juventude e boa parte da vida adulta em Juiz de Fora (MG).

Ao chegar ao Palácio do Planalto em outubro de 1992, Itamar enfrentava águas bastante turbulentas. O político mineiro, que morreu em 2011, é tema do 24º volume da Coleção Folha - A República Brasileira. O livro chega às bancas no próximo domingo, dia 23.  

O presidente Fernando Collor de Mello foi submetido a um processo de impeachment por conta de denúncias de corrupção. Acabou renunciando em dezembro de 1992. Em meio a essa instabilidade política, o vice, Itamar, alcançou o poder.

Mais difícil, porém, era o panorama econômico. Pacotes implantados nos anos anteriores tinham sido ineficazes no combate à inflação, que rondava a casa dos 30% mensais.

Itamar formou um ministério com nomes de diversos partidos e regiões do país. Além disso, conseguiu articular um apoio expressivo entre os congressistas. 

Havia sinais expressivos de melhora no clima político, mas a economia continuava em uma crise acentuada. 

 

O Ministério da Fazenda teve três titulares antes que Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fosse nomeado para a pasta. O político tucano havia comandado anteriormente as Relações Exteriores.  
FHC tinha na sua equipe nomes como Pedro Malan (Banco Central) e Pérsio 
Arida (BNDES). 

O Plano Real estava a caminho. Um passo importante para a efetivação das mudanças nessa área foi a substituição do cruzeiro pelo cruzeiro real, em agosto de 1993. 

Com apoio do Congresso, ajustes foram realizados de forma gradativa —buscava-se evitar a estratégia de choque dos planos anteriores.

Em fevereiro de 1994, FHC anunciou o Plano Real, com o lançamento da URV (Unidade Real de Valor), que seria mais tarde convertida em real. Vieram sobressaltos, evidentemente, mas a economia começou a ganhar um novo rumo. 

É inegável a relevância de FHC e da sua equipe para a conquista da estabilidade econômica —ciente disso, a população elegeu o tucano, chamado de “pai do Real”, para a Presidência naquele ano. 

Mas não se pode desconsiderar a “surpreendente habilidade política de Itamar Franco”, como escreve o historiador Dirceu Franco Ferreira, autor do volume.

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