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Podcast 'Posse de Bola' vale por ser curto

Ex-comentaristas da ESPN se reúnem no mais que conhecido formato de mesa redonda de futebol

Posse de Bola

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Futebol dura mais do que duas parcelas de 45 minutos. Tem muito tempo de acréscimos na mídia graças aos debates estilo mesa redonda.

A Rádio Gaúcha mantém há quase 50 anos uma atração dessa estirpe, o Sala de Redação. Os canais de televisão dedicados a esporte parecem um infinito programa dessa estirpe, com eventuais interrupções para a transmissão de partidas de futebol, o obsessivo objeto de discussão.

Desde setembro do ano passado, o UOL (que tem participação acionária minoritária e indireta da Folha) apresenta sua versão dessa batida fórmula em formato de podcast semanal, o “Posse de Bola”. Nele estão reunidos os experientes Arnaldo Ribeiro, Eduardo Tironi, Juca Kfouri (colunista da Folha) e Mauro Cezar Pereira.

 
Podcast 'Posse de Bola'
Podcast 'Posse de Bola' - Reprodução

Os membros do “Posse de Bola” são egressos da ESPN Brasil, onde compunham o Linha de Passe. O canal passa por mudanças desde que a sua proprietária, a Disney, comprou a Twenty-First Century Fox. Do quarteto titular do “Posse”, só Mauro permanece na emissora da empresa de Mickey Mouse. 

O grande mérito do “Posse de Bola” é seu poder de síntese. Em pouco mais de uma hora, cada um dos três blocos aborda um assunto relevante da semana. Somadas às digressões dos participantes, nada passa batido, a marcação é cerrada.

Se fosse um jogador, o programa seria descrito como um podcast agudo (joga no ataque), de velocidade (corre muito) e letal (que chuta bem a gol). Fica a impressão de que mais tempo à atração, como pedem muitos ouvintes, geraria um “Posse” fora de forma, tal um atleta que abusa nas férias.

A pauta, feita por Tironi e Ribeiro, leva em consideração popularidade e poder econômico das equipes. Ou seja, o centro do debate são os três grandes times da capital paulista e o Flamengo, o que reflete as preferências pessoais dos comentaristas.

Um lado negativo no foco em assuntos quentes é o prazo de validade efêmero dos episódios. Quem quer ouvir sobre a possibilidade do Flamengo vencer o Brasileirão de 2019? Para a surpresa de quem não tem interesse em futebol, sim, o rubro-negro venceu.

Quem se destaca no programa é o afável Juca Kfouri. Ele faz valer sua experiência de décadas na imprensa esportiva, algumas dedicadas ao rádio, injetando à roda humor sem perder a clareza de raciocínio.

Usando da mesma lógica do programa de cobrança feita aos craques, dá para pedir mais de Juca. Afinal, esse é o mesmo cronista esportivo de invejável criatividade nas colunas desta Folha —recentemente lembrou, cantou, reprimiu e perdoou Fio Maravilha, aquele da música de Jorge Ben. São textos dignos de prêmio Puskás de gol mais bonito.

A gravação do “Posse de Bola” acontece nas manhãs de segundas-feiras com transmissão ao vivo nas redes sociais. No final de janeiro houve uma tentativa de mudança, com cenário e enquadramentos abertos e fechados. Porém, o experimento foi abandonado. Prevalece a câmera fixa, com uma lente grande angular em um estúdio de rádio. A filmagem só serve para mostrar como os integrantes consultam os celulares quando não estão de posse da palavra (e quem hoje não faz isso?).

À tarde a atração está disponível nos agregadores de podcasts praticamente sem edição. O quarteto tem capacidade e experiência de sobra para entregar um programa redondo de primeira sobre a mais importante das coisas desimportantes.

 
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