Descrição de chapéu Artes Cênicas

Miguel Falabella retrata liberdade da era disco em musical de Donna Summer

Peça retrata vida da cantora desde a adolescência à consagração como diva

São Paulo

Se a trajetória bem-sucedida de Donna Summer já era justificativa suficiente para investir em um musical sobre a cantora, o fato de ela também embalar memórias afetivas do diretor e boa parte do elenco representou o impulso que faltava para levar ao palco a vida e a obra de uma das principais musas da disco e da dance music.

“Donna Summer Musical” acaba de estrear, em São Paulo, sob o comando de Miguel Falabella. O diretor conhecia a peça desde uma de suas visitas à Broadway e conta que aceitou o convite para montar a obra no Brasil porque teve carta branca para realizar a montagem que quisesse, desde que não mexesse no texto.

Cena do musical 'Donna Summer', dirigido por Miguel Falabella
Cena do musical 'Donna Summer', dirigido por Miguel Falabella - Cíntia Carvalho /Folhapress

Um dos principais motores da decisão foi a conexão pessoal com as músicas.

“Peguei o auge dela. Donna fez parte da trilha sonora da minha juventude, onde moravam meus sonhos. Sabia como eu queria contar essa história e de que maneira eu queria falar dessa mulher e do impacto que ela teve na minha vida”, afirma.

Nascida LaDonna Adrian Gaines, a cantora também esteve presente na infância de Karin Hils, uma das atrizes que encarnam o papel compartilhado por três intérpretes, cada uma responsável por uma fase —a jovem Donna, na pré-adolescência, a Donna disco, no auge do sucesso, e a Donna diva, já na maturidade.

“Tive a sorte de crescer numa casa movida a música. Lembro que tínhamos LPs da Donna, e as músicas dela tocando”, conta Hils. “Foi uma surpresa notar que as canções são muito conhecidas, mas que muita gente não tem ideia de como era a aparência dela. Conhece a música, mas não sabe quem canta. Isso me instigou ainda mais a fazer esse musical."

Levada pela família cristã para cantar nos corais da igreja quando criança, Donna Summer começou sua carreira nos anos 1960 na banda psicodélica Crow, na mesma época em que participou do musical “Hair”, em Nova York. Karin Hils, ex-integrante da banda Rouge, também cantava na paróquia e interpretou a mesma Dionne na versão brasileira de “Hair”. Ela vê, ainda, outras intersecções nas duas carreiras.

“Ela foi uma mulher que superou muitas coisas para chegar aonde chegou, e acho que me encontro nesse mesmo lugar. Para ser uma artista negra neste país, ainda é preciso enfrentar muitas barreiras”, compara. “Ela, como eu, também não gostava de ser rotulada. Com esse musical, venho retificar meu trabalho como atriz, cantora, e, principalmente, fora da banda, onde ficava tudo muito limitado."

“Se hoje temos mais oportunidades, foi por causa de heroínas como ela”, diz Jeniffer Nascimento, a Donna no auge da carreira. “Ela já era feminista. Foi para a Alemanha sozinha cantar num musical”, diz Amanda Souza, que dá vida à juventude da cantora que, quando criança, sofreu um abuso, que a marcou por toda a vida.

“Donna sofreu muitos relacionamentos abusivos. Ela foi crescendo, e não tinha patamar do que era certo e errado. Nesta cena, canto ‘Pandora’s Box’, e é muito difícil ter que passar emoção, sem se envolver muito. É o trabalho de atriz”, completa.

A cenografia da montagem brasileira de “Donna Summer Musical” se baseia, de acordo com Falabella, no conceito do globo prateado, ícone da época disco. O cenário tem 260 metros quadrados e pesa 13 toneladas. O jogo de iluminação, assinado por Caetano Vilela, usa centenas de espelhos. O elenco, quase todo negro, usa figurino com mais de 50 perucas e cerca de 200 peças de roupa.

Na trilha sonora, há clássicos como “I Feel Love”, “Love to Love You, Baby”, “Hot Stuff” e “Last Dance”.

“É muito bom poder lembrar esse tempo, as cores, a expressão no vestir, a liberdade nos trajes que a discoteca trouxe”, resume Falabella. “Essa liberação de costumes é uma constante no mundo, e nada pode parar esse movimento."

Donna Summer Musical

  • Quando Qui. e sex.: 21h. Sáb.: 18h e 21h. Dom.: 16h e 19h. Até 28/6
  • Onde Teatro Santander, av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2.041, tel. 4810-6868
  • Preço R$ 75 a R$ 260
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