Campanha dá apoio financeiro a pequenas e médias livrarias

Objetivo é driblar difícil cenário econômico trazido pela pandemia

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São Paulo

Lançado em junho deste ano, o projeto Retomada das Livrarias arrecada fundos para ajudar financeiramente pequenas e médias livrarias do país até 31 de agosto.

O objetivo é fortalecer esses estabelecimentos diante do difícil cenário econômico neste período da pandemia.

A iniciativa já contemplou 53 livrarias de 213 inscritas. Dezesseis delas estão localizadas na cidade de São Paulo.

O projeto foi idealizada por Alexandre Martins Fontes, diretor-executivo da WMF Martins Fontes, com o apoio da Câmara Brasileira do Livro (CBL), da Associação Nacional de Livrarias (ANL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel).

O editor e livreiro Alexandre Martins Fontes em lançamento na Livraria Martins Fontes - Mathilde Missioneiro/Folhapress

Cada livraria beneficiada já recebeu R$ 5.000. Até o dia 10 de setembro, está previsto o repasse da segunda parcela do que será arrecadado. A meta dos organizadores é amealhar R$ 530 mil para que sejam destinados, ao todo, R$ 10 mil para cada uma das livrarias.

Entre os critérios para receber o apoio, as candidatas deveriam ser classificadas como micro, pequena ou média empresa, ter 50% das atividades dependentes da venda de livros e estar com as contas em dia até 15 de março de 2020.

Thiago Fernandes Maia de Oliveira é proprietário da livraria e sebo Café na Cama, na Vila Mariana, um dos estabelecimentos paulistanos contemplados.

Para ele, a campanha veio em boa hora para reduzir os prejuízos. “Foi um grande socorro. Ajudou a amenizar o impacto financeiro, que já estava me fazendo recorrer a empréstimos bancários”, disse.

O auxílio permitiu ao livreiro, há 11 anos neste mercado, a manter o único funcionário da sua loja. “Pude continuar otimista de que a normalidade irá voltar, pois bons livros sempre vendem e há um público interessado neles”, disse.

O otimismo de Oliveira pode, porém, enfrentar um novo teste nos próximos meses.

No decorrer da campanha de apoio às livrarias, surgiu a proposta de reforma tributária do ministro da Economia, Paulo Guedes, que impõe ao mercado editorial, isento de contribuição tributária desde 2004, uma taxação de 12%. Se aprovado, o projeto do governo federal deve levar a um aumento no preço do livro.

“Nossa campanha nasceu por conta da pandemia. Iniciamos as conversas em abril e, em junho, já estava funcionando”, lembra Alexandre Martins Fontes.

“Portanto, não se falava ainda dessa proposta [do ministro], que é de uma infelicidade absurda, como tanta coisa deste governo. Fala-se muito sobre o aumento do preço, que elevará o custo final do livro não 12%, mas 20% sobre o preço de capa. Mas o problema é que fatalmente livrarias e distribuidoras irão fechar as portas”, afirma.

Para fazer doações, acesse a página da campanha.

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