Criolo canta para as cadeiras vazias do Theatro Municipal na Virada Cultural

Rapper mostrou que energia de seu show não depende da presença do público, em apresentação na noite de sábado (12)

São Paulo

O cantor e compositor Kleber Cavalcante Gomes, mais conhecido como Criolo, foi uma das atrações online e gratuitas da 16ª edição da Virada Cultural, que acontece na cidade de São Paulo de sábado (12) a domingo (13).

Com início às 21h30 e término às 22h30, a apresentação do rapper foi pontualmente transmitida, ao vivo, do palco do Theatro Municipal de São Paulo —assim como outros shows desta edição do evento. Respeitando as recomendações de isolamento social, não houve a presença do público.

Criolo na Virada Cultural de 2020 - Reprodução

Além de dois intérpretes de Libras, os espectadores assistiram à performance de olho na tela de seus celulares, tablets ou computadores. Não é necessário se inscrever em plataforma alguma para participar.

Bastou acessar o site da Virada Cultural, e Criolo —através da tela do computador e do som excelente da transmissão— entrou nas casas, mentes e almas dos espectadores.

Tudo sem fila para banheiro, empurra-empurra, cheiro de maconha misturado a urina com álcool. Tudo também totalmente seguro em relação aos frequentes arrastões que costumeiramente “pescam” celulares, bolsas, bolsinhas e carteiras nos shows de rua da Virada Cultural.

Contudo, Criolo, por si só, é uma enorme aglomeração. Aglomeração de ideias, conceitos, ideais, sacadas, sentimentos, palavras, rimas, sons, posicionamentos, angústias, alegrias, tristezas e incertezas reunidas e misturadas num só artista.

Criolo na Virada Cultural de 2020 - Reprodução

“Demorô” foi a música que abriu a live para 1.408 espectadores, e a quantidade de públicou variou até quase 1.700 pessoas. O repertório foi de antigas como “É o Teste”, de quando ele ainda se chama Criolo Doido, nos anos 2000, até faixas mais recentes, como "Boca de Lobo", de 2018.

Ao lado do parceiro de anos DJ Dan Dan, ele ainda cantou faixas como “No Sapatinho”, “Até Me Emocionei”, “Cóccix-ência”, “Duas de Cinco”, “Subirusdoistiozin”, “Intervenção Altemar Bil”, “Samba Sambei”, “Pé de Breque”, “Cerol”, “Sucrilhos”, “Grajauex”, e “Ainda Há Tempo”, entre outras.

As músicas tiveram como cenário as frisas e cadeiras vazias da plateia do teatro, que serviu de fundo para a apresentação do artista —que não cantou “Não Existe Amor Em SP” nem apresentou seus dois excelentes companheiros de palco, mas deitou e rolou com muita poesia em cima de uma cama de sons muito bem armada. ​

Há muito Criolo não traz em si apenas o Grajaú, bairro de periferia na zona sul de São Paulo onde cresceu. Como artista, traz um mundo inteiro dentro de si e o despeja em seu som de maneira única, autêntica.

Suas músicas fazem com que fiquemos nus de tudo que nos cerca e nos enxerguemos ainda seres humanos, frágeis, erráticos, e até meio bobos, mas não sozinhos em meio a tanta animosidade social.

Criolo na Virada Cultural - Reprodução
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