Desenho de Tintim é vendido por quase R$ 20 milhões e bate recorde em leilão

O recorde anterior, de sete anos atrás, pertencia ao mesmo cartunista, o belga Hergé

Paris | AFP

Um desenho do cartunista belga Hergé, o criador do Tintim, estabeleceu um novo recorde mundial na área de quadrinhos ao ser leiloado por US$ 3,8 milhões, ou quase R$ 20 milhões, em Paris nesta quinta (14).

A ilustração em questão tinha sido planejada para ser a capa do livro "O Lótus Azul", de Tintim. Segundo nota da Artcurial, casa de leilões onde aconteceu a venda, o comprador foi um colecionador particular.

O recorde anterior pertencia ao próprio Hergé. Há sete anos, uma página dupla que ele usou como capa dos seus livros por duas décadas foi arrematada por 2,5 milhões de euros.

A ilustração mostra Tintim e seu cãozinho Milu enfiando a cabeça para fora de um vaso Ming e dando de cara com um gigantesco dragão pintado sobre a parede atrás deles. Tanto eles quanto o dragão ostentam uma expressão de espanto.

A capa original de 'The Blue Lotus', do cartunista belga Hergé - Reprodução

Essa criação acabou não sendo a capa do quinto livro das aventuras do famoso personagem, já que sua reprodução era muito cara. A editora Casterman optou por um desenho parecido, mas mais simples.

Esta é a primeira vez que o desenho, com as dimensões de 34 cm x 34 cm, é apresentado no mercado das artes. Seu preço estimado estava entre US$ 2,6 milhões e US$ 3,4 milhões de dólares.

Segundo a Artcurial, Hergé teria dado a obra ao filho do editor Louis Casterman, Jean-Paul, quando ele tinha sete anos. O menino teria dobrado a página em seis e a mantido em uma gaveta, de onde foi recuperada décadas depois.

Alguns especialistas questionam a veracidade dessa história.

Para Philippe Goddin, um dos maiores conhecedores da obra de Hergé, os herdeiros "acreditaram na lenda que lhes foi contada pelo pai", Jean-Paul, falecido em 2009. Mas isto parece "muito suspeito".

Embora as marcas de vinco possam ser vistas na folha, Hergé provavelmente a enviou assim em um envelope para o editor-adjunto da editora, segundo Goddin. O desenho teria permanecido desde 1936 no armazém de Casterman, mas não seria um presente.

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